Polícia

Polícia investiga suposta discriminação racial de guardas municipais contra adolescente em Salvador

Reprodução/PCBA
Delegacia Especializada investiga caso de discriminação racial contra adolescente de 17 anos em Salvador, Bahia.  |   Bnews - Divulgação Reprodução/PCBA
Samuel de Jesus

por Samuel de Jesus

Publicado em 07/11/2026, às 14h23



A Polícia Civil da Bahia investiga uma denúncia de discriminação racial contra um adolescente negro de 17 anos. O caso está sob a responsabilidade da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca). De acordo com o G1, o jovem foi abordado por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) de Salvador, no bairro da Barra. O caso aconteceu na segunda-feira (2), quando o jovem passeava com amigos pela região.

Mãe fica revoltada 

A mãe do adolescente, a corretora de imóveis Sara Oliver, publicou um vídeo em uma rede social e afirmou que o filho foi levado para duas delegacias após os guardas afirmarem que o celular dele era roubado.

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Um detalhe das características que foi relatada para os agentes é que eles estavam de boné, e meu filho não estava de boné. Mesmo assim, ele foi abordado, os amigos dele também", contou.
Durante a abordagem, de acordo com o relato da mãe, um dos guardas solicitou o celular do adolescente e realizou uma consulta. Em seguida, afirmou que o aparelho tinha restrição por roubo e o jovem foi conduzido até a Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), em Brotas".

A mãe informou que não encontrou qualquer registro de roubo ou furto. Ela também questiona a forma como o adolescente foi conduzido pelos agentes. A corretora de imóveis disse que soube da situação por meio de um amigo do filho, que telefonou para avisar sobre a abordagem.

Eu, como mãe, saí desesperada e preocupada com o que podia acontecer nesse meio tempo. Fiquei pedindo a Deus que guardasse ele de todo o mal", relatou.

O que disse a Guarda Municipal

A Guarda Civil Municipal negou para o G1 que tenha ocorrido discriminação racial e afirmou que a abordagem seguiu os protocolos legais. Segue a nota:

A ação foi motivada por denúncias de transeuntes durante patrulhamento preventivo na Região da Barra — nas proximidades do Farol e do monumento do Cristo —, que alertaram as equipes sobre o roubo de uma mochila cometido por um grupo de jovens contra um casal. Durante as buscas, um grupo com as características informadas foi localizado e abordado de forma absolutamente tranquila no interior de um estabelecimento comercial local. A intervenção ocorreu em ambiente dotado de sistema de monitoramento por câmeras, que registrou integralmente a conduta dos agentes, sem qualquer exposição ou constrangimento aos envolvidos".

Adolescente foi levado para duas delegacias

De acordo com a mãe, o adolescente foi levado para duas delegacias. Sara afirmou que os agentes mantiveram a informação de que o celular tinha restrição por roubo. Ela informou que comprou o aparelho na internet e não tinha como comprovar no momento que não era roubado.

Ela afirma que, durante o deslocamento de uma delegacia para outra, ele foi novamente transportado no compartimento traseiro da viatura. Sara contou que o pai do adolescente questionou a medida, mas os agentes afirmaram que se tratava de um procedimento da corporação.

Meu filho foi transportado no camburão como se fosse um meliante, sendo que não tinha cometido delito algum. Ver aquela situação do meu filho me doía tanto. Me causava uma tristeza, uma angústia", desabafou.

A mãe afirmou que pretende buscar esclarecimentos sobre a atuação dos agentes.

"Quantas mães não têm essa oportunidade? Quantos jovens, além do constrangimento, enfrentam hostilidade, violência física e sofrimento psicológico? Pensar nisso aumenta ainda mais minha indignação", afirmou.

Polícia Civil investiga denúncia de discriminação racial

A Polícia Civil informou que a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca) investiga a denúncia de discriminação racial contra o adolescente.

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