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Seguranças são investigados após esposa ser agredida pelo empresário Ivo Vel Kos na porta de casa: 'Eles não faziam nada'

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Giulia Falcão, de 27 anos, afirmou que pediu socorro enquanto era atacada na frente de casa, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo; Polícia Civil apura a atuação dos profissionais  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 20/08/2026, às 07h06



Dois seguranças acusados pela cirurgiã-dentista Giulia Falcão, de 27 anos, de não terem prestado socorro enquanto ela era agredida pelo marido, o empresário Ivo Vel Kos, de 48, passaram a ser investigados pela Polícia Civil.

O caso ocorreu na madrugada de sábado (15), na calçada em frente à residência do casal, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Segundo Giulia, ela gritou e pediu ajuda aos profissionais enquanto era atacada, mas não recebeu auxílio.

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Polícia investiga atuação dos seguranças

A Secretaria da Segurança Pública informou que os fatos relacionados à atuação dos seguranças são investigados pelo 15º Distrito Policial (DP), no Itaim Bibi. A unidade realiza diligências para esclarecer o que aconteceu durante a agressão.

"O caso foi registrado como lesão corporal, ameaça e violência doméstica, sendo relatado à Justiça. Quanto à atuação dos seguranças, os fatos são investigados no 15º DP (Itaim Bibi), que prossegue com as diligências para esclarecer todos os fatos", afirmou a pasta.

Imagens de câmeras de segurança [veja vídeo no fim da matéria] registraram parte da ocorrência. Nas gravações, o carro do casal chega à rua onde fica a residência. Giulia desce do veículo e, em seguida, Ivo aparece. Ele avança em direção à mulher e desfere um soco, fazendo com que ela caia para trás.

Ao g1, Giulia afirmou que pediu socorro aos dois seguranças que estavam na rua, mas que eles não intervieram.

“Eu desci do carro pedindo socorro aos seguranças da rua. Eles não me ajudaram a pedido do Ivo. Eu chorava, gritava, e eles não faziam nada. Eu gritava pedindo ajuda. Nisso, ele [marido] me desferiu um golpe no rosto e conseguiu me levar para dentro de casa à força, e as agressões continuaram”, relatou.

Ela afirmou ainda que conseguiu fugir novamente da residência depois de se trancar no banheiro.

"Na casa, eu consegui me trancar no banheiro e tentar ligar pro 190. O telefone não tinha linha. Aproveitei um descuido dele e consegui correr e fugir para a rua novamente aos gritos, o que fez com que todos os vizinhos saíssem e foram eles que me salvaram porque ele ia me matar. Os vizinhos afastaram ele de mim e me acolheram em casa até a chegada da polícia".

Reprodução / Redes Sociais

Empresa contesta versão sobre seguranças

O Grupo Previx, empresa de segurança que atua na região, contestou a versão apresentada e afirmou que é preciso diferenciar os dois profissionais citados no caso.

Segundo a empresa, um agente do Grupo Previx fazia patrulhamento de rotina quando identificou a situação e, de acordo com o relato dele, acionou imediatamente a Polícia Militar. A Previx afirma que o funcionário permaneceu próximo ao local para prestar apoio.

A empresa também declarou que as imagens não registraram esse profissional participando ou auxiliando o agressor na condução de Giulia até a residência.

Já o homem que, segundo a versão da vítima, teria ajudado a levar a dentista em direção ao imóvel seria, de acordo com a Previx, um segurança local, também chamado de "guariteiro". A empresa afirma que ele não integra seu quadro de funcionários e não tem relação com o Grupo Previx.

A Previx disse lamentar profundamente o ocorrido, solidarizar-se com Giulia e permanecer à disposição das autoridades para eventuais esclarecimentos.

A empresa também afirmou repudiar qualquer conduta que desrespeite a vontade de uma pessoa, especialmente uma potencial vítima de violência doméstica.

Empresário foi preso após agressões

Ivo Vel Kos foi preso em flagrante na madrugada de sábado (15) por lesão corporal e ameaça. A prisão foi posteriormente convertida em preventiva.

Segundo o boletim de ocorrência, Giulia relatou que as agressões começaram após uma discussão durante o retorno para casa, por volta das 23h. De acordo com o relato, Ivo teria desferido socos contra o rosto e o corpo dela ainda dentro do carro.

Ao chegar próximo à residência, Giulia tentou sair do veículo e pedir ajuda. Ela afirmou que o marido continuou a agredi-la com um taco de beisebol e a ameaçou com uma arma de choque. Segundo ela, também tentou ligar para a Polícia Militar, mas Ivo pegou seu celular.

Ivo negou ter agredido Giulia dentro do carro e afirmou que ela começou a atacá-lo com socos e chutes. Segundo ele, houve uma discussão após o casal retornar de um jantar, e Giulia teria ficado alterada após ingerir bebidas alcoólicas.

O empresário também negou ter agredido a mulher dentro da residência, ter utilizado um taco de beisebol contra ela ou tê-la ameaçado com uma arma de choque. Ele afirmou ainda que foi Giulia quem o ameaçou de morte.

O advogado de defesa de Ivo, Davi Gebara, informou que não vai se manifestar no momento.

Justiça concede medida protetiva

Nesta quarta-feira (19), a Justiça de São Paulo concedeu medidas protetivas de urgência a Giulia e determinou a restituição de bens pessoais e do veículo de propriedade dela.

Até esta terça-feira (18), a dentista afirmou que não conseguia acessar a própria casa depois que parentes trocaram a fechadura.

“Eu saí do hospital e fui lá [na casa]. Meus sogros proibiram minha entrada, e o chaveiro estava trocando a fechadura. Eu falava com meus funcionários, e eles estavam com medo. Fizeram isso porque defendem o filho”, contou Giulia ao g1.

Com a medida protetiva, Ivo não poderá manter contato com Giulia por qualquer meio, seja eletrônico, pessoalmente ou por terceiros. A decisão também estabeleceu distância mínima de 300 metros da vítima, de sua residência, local de trabalho e familiares.

Segundo o boletim, policiais militares foram acionados pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para atender à ocorrência. No local, os agentes ouviram versões diferentes do casal e constataram lesões aparentes nos dois.

Giulia foi encaminhada à 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) Norte, onde prestou depoimento e pediu medida protetiva. Os dois foram submetidos a exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML).

A delegada de plantão determinou a prisão em flagrante de Ivo Vel Kos por lesão corporal e ameaça, com aplicação da Lei Maria da Penha. Ele também foi indiciado pelos crimes.

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