Polícia

Tenente-coronel acusado de matar esposa PM diz se sentir 'escravo' por fazer tarefas na prisão e que outros detentos têm 'vida normal'

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Ainda em depoimento, tenente-coronel voltou a negar que matou a esposa e disse que preferia estar morto a permanecer na prisão  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Redação BNews

por Redação BNews

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Publicado em 10/09/2026, às 09h08



O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, disse em interrogatório que está se sentindo um "escravo" dentro da prisão. Ele está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, desde 18 de março.

O depoimento foi prestado à Corregedoria da Polícia Militar em 2 de abril, durante um Inquérito Policial Militar (IPM) que apura o caso. Segundo informações divulgadas pelo site Metrópoles e confirmadas pelo UOL, Rosa Neto optou por falar, mesmo tendo sido informado de que poderia permanecer em silêncio.

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Durante o interrogatório, o tenente-coronel reclamou principalmente da rotina no presídio. Ele afirmou que precisa pedir autorização ao policial mais antigo da cela, um soldado, para entrar no espaço. Também relatou que realiza tarefas como lavar banheiros e corredores, fazer faxina, buscar refeições e lavar louças.

"Eu sou um escravo aqui dentro. Eu falei isso para o Cel [coronel] Komata porque existem as normas internas e existem as normas dos internos", disse.

Acusado nega feminicídio

Geraldo Rosa Neto é réu pelo feminicídio de Gisele Alves Santana, de 32 anos, que foi baleada na cabeça em fevereiro. Ele também responde por fraude processual. O policial nega os crimes e afirma que a esposa tirou a própria vida.

Durante o depoimento, ele disse estar preso injustamente e relatou sofrimento com a situação. Em determinado momento, afirmou que preferia estar morto a permanecer na prisão.

"Porque o que eu tô passando aqui só Deus sabe. Eu preferia estar morto do que estar preso aqui. E ontem eu fiquei na sala do coronel Komata conversando com ele durante uma hora e meia, foi uma hora chorando, porque eu tô aqui desesperado. Entendeu? Então, só Deus sabe a pena que eu tô cumprindo aqui. E eu não pratiquei nenhum crime. Fora o sofrimento pela perda da minha esposa", disse.

O tenente-coronel contou ainda que faz acompanhamento com uma psicóloga no presídio e que já passou por atendimento psiquiátrico duas vezes.

Rosa Neto afirmou que sonha diariamente com a esposa desde que foi preso e classificou a cena da morte como a mais traumática que já presenciou em seus 35 anos de carreira na PM.

Apesar de se declarar católico, ele disse que passou a frequentar diariamente cultos evangélicos realizados dentro do presídio.

Diferenças de tratamento

O policial também afirmou que oficiais recebem um tratamento diferente dentro da unidade. Segundo ele, cabos e soldados teriam uma "vida normal" de presidiário, enquanto a situação seria mais difícil para integrantes de patentes superiores.

Rosa Neto relatou ainda que há policiais presos no local que já foram fiscalizados por ele ao longo da carreira. Segundo o tenente-coronel, isso faz com que seja cobrado por antigos colegas quando eles o encontram no presídio.

Ele também defendeu que oficiais presos na unidade deveriam receber uma redução maior da pena, sob o argumento de que as condições enfrentadas por eles seriam diferentes.

SSP-SP nega tratamento desigual

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) foi questionada sobre as declarações do tenente-coronel a respeito do tratamento recebido na unidade.

Em resposta, a pasta afirmou que o Presídio Militar Romão Gomes adota o princípio da igualdade de tratamento entre os internos, independentemente de posto ou graduação, conforme previsto no artigo 23, inciso XXXI, da Resolução nº 9/12 do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo.

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