Polícia

Vítima de intolerância religiosa no metrô de Salvador detalha ofensas: 'começou a querer tirar o diabo de dentro de mim'

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Vítima de intolerância religiosa foi entrevistada no programa Se7e da Matina da Bnews TV  |   Bnews - Divulgação Reprodução/BNewsTV

Publicado em 25/11/2024, às 08h00 - Atualizado às 08h01   Yuri Pastori



A vítima de intolerância religiosa, neste sábado (23), na Estação do Metrô do Bonocô, em Salvador, Marneide, se pronunciou ao programa Se7e da Matina da Bnews TV, desta segunda-feira (25). A praticante do candomblé, Ekedi do Ilê Axé Oyá Omim Igbalê, foi alvo de ataques verbais por uma mulher, enquanto aguardava o metrô. A mulher foi presa.

"Bem desagradável, né. Essa senhora já veio proferindo ofensas a mim. Falando do novembro, um mês que não existia. Não existe o preto, só existe a mim e a Deus, era o que ela repetia sempre e começou a querer que eu me evangelizasse para eu tirar o diabo, satanás de dentro de mim", relatou Marneide.

Marneide contou que a mulher fez ofensas a religião dela. "Que eu era Deus, que não existe o preto", detalhou. Quando a idosa tentou se aproximar mais dela, Marneide pediu que ela se afastasse e solicitou ajuda aos agentes da CCR. Momento em que a mulher tentou fugir entrando no metrô.

A vítima relatou que ficou com medo, pois ela falava as mesmas coisas dizendo que "o preto precisava se envangelizar". Na delegacia, a idosa dizia que ia continuar orando pela alma da vítima. 

O advogado de defesa de Marneide, Dr. Mateus Mozart afirmou que a penalidade para crimes de injúria racial é de 2 a 5 anos de reclusão. "O Poder Judiciário, ele tem esse papel de fazer essa apuração. Essa mulher está a disposição da Justiça , está custodiada, vai passar pela audiência de custódia", relatou.

O defensor disse ainda que é importante que o crimes dessa natureza não fiquem esquecidos, pois, muitas vezes, não passam do Boletim de Ocorrência (B.O). Para ele, é importante a denúncia ao Ministério Público (MP). " A religião de matriz africana é do povo preto. Estamos aqui para cumprir a legislação", afirmou. A vítima estava acompanhada na entrevista de duas pessoas da mesma religião que ela, que estavam prestando apoio a ela. Uma delas disse: "Nós somos negros sim e queremos respeito", concluiu.

Assista ao programa Se7e da Matina desta segunda-feira (25):

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