Política

Geddel explica apoio à Dilma

Disse não fazer política com mágoas e que a petista tem melhor projeto

Publicado em 07/10/2010, às 19h38        Redação Bocão News

Em entrevista concedida agora a pouco (quinta-feira, 7) no Jornal da Cidade da Rádio Metrópole, o deputado Geddel Vieira Lima, candidato derrotado nas eleições pelo governo da Bahia, justificou a sua decisão de apoiar a candidata petista à presidência, Dilma Rousseff, afirmando que o “seu projeto é melhor para o país e que sua candidatura está agregada a de Michel Temer, seu amigo (de Geddel) de mais de 20 anos”.

Geddel repetiu que não perdeu as eleições para o governador Jaques Wagner, mas sim para o presidente Lula, numa referência à traição de que foi vítima, ao perder o apoio das estrelas petistas Lula e Dilma que se recusaram a participar da sua campanha mesmo tendo sido firmado um compromisso em troca do apoio do PMDB baiano. A petista derrubou o acordo de dois palanques na Bahia e chegou a anunciar que teria escolhido apoiar Wagner porque este aparecia com melhor pontuação nas pesquisas, enquanto a candidatura do deputado federal, ex-ministro da Integração do governo Lula, apresentava desempenho pífio.

Entrevistado pelo radialista Mário Kertész, Geddel confessou sua mágoa por ter sido alijado pelos petistas, mas afirmou que não se faz política com mágoas. O ex-ministro teceu elogios ao presidente do seu partido e  companheiro de chapa da petista Dilma, e à própria candidata, a quem considerou estar qualificada para comandar o país.

O deputado fez uma análise do resultado das eleições, afirmando que “não poderia ter sido melhor. O resultado foi excepcional. Eu não perdi a eleição para o atual governador Wagner - que, vou fazer um parêntese, ouvi hoje a entrevista e parece que ele está magoado, chateado comigo, com ódio, porque não citava meu nome. Eu perdi a eleição para Lula".

Geddel lembrou que ele e o seu partido haviam feito um acordo de dois palanques na Bahia. Acordo esse que foi rmpido pelos petistas. "O PMDB nacional e eu fizemos um acordo que, em função de desacordos administrativos, teríamos dois palanques. O presidente Lula e Dilma estariam nos dois palanques da sua base de sustentação. Nós éramos o aliado que tirávamos as obras do papel e tínhamos pressa em resolver problemas. Toda a campanha foi feita nesse sentido.Quando chega no meio da campanha, unilateralmente, quem tinha dado uma sustentação, muda de postura e vem a Bahia e diz 'meu candidato é esse'. Nosso discurso, portanto, perde a credibilidade. O resultado que nos colocou com mais de um milhão de votos obviamente é um resultado positivo. Estou muito grato pela demonstração de apoio que tivemos em tantos cantos do estado. Nessas circunstâncias, conseguir um milhão de votos, é excelente. Nós perdemos para um mito, que é o presidente Lula".

Alfinetando a cúpula petista, Geddel disse que uma das razões pela qual decidiu ficar ao lado de Dilma Rousseff foi justamente o fato de ser político que mantém seus acordos, de sua palavra. "Faço minhas as palavras do governador hoje (referência à entrevista que Jaques Wagner concedeu na manhã desta quinta-feira à mesma rádio): 'se não cumpriram compromisso, é problema de quem não cumpriu. Eu vou cumprir a minha parte'. O vice de Dilma é Michel Temer. Meu amigo de mais de 20 anos, com quem tenho uma relação fraternal. Com o PMDB e com Temer eu construi minha história. Quando apoiei a ministra Dilma, disse que era a continuidade de um projeto bom para o Brasil. O presidente Lula, pelas suas qualidades, era um projeto bom para o Brasil. Eu tenho um compromisso partidário, de história de vida".

O peemedebista desmentiu a informação prestada pelo governador Jaques Wagner durante a entrevista concedida pela manhã de que teria sido convidado para integrar a chapa de Wagner como senador ou vice-governador. "O governador faltou com a verdade. A reunião a que ele se referiu não tratou deste tema".

Geddel não se esquivou de falar da sua relação com o prefeito de Salvador, João Henrique. "Eu só tive um problema de relação pessoal na política da Bahia, que foi com o senador Antônio Carlos Magalhães, porque ele tinha um jeito peculiar de fazer política. Hoje não tenho inimizade com ninguém. João Henrique está filiado ao meu partido, nos falamos, nos tratamos. Mas hoje não tenho nenhum tipo de vinculação política com o prefeito, nem ele me ouve nem me consulta sobre suas posições políticas".



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