Política

Após mais um racha com o PMDB, Dilma quer provar seu poder

Publicado em 29/05/2011, às 08h38   Redação Bocão News



A presidente Dilma Rousseff comandará uma série de reuniões, a partir desta semana, na tentativa de provar que o governo não está paralisado pela crise envolvendo o ministro Antonio Palocci, da Casa Civil. Dilma quer a todo o curto mostrar que não é teleguiada pelo ex-presidente Lula, afirma matéria da Folha.

Apesar de acatar os conselhos de Lula, que assumiu as rédeas políticas do governo após o desastrado telefonema no qual Palocci ameaçou o vice-presidente Michel Temer com a demissão dos ministros do PMDB, Dilma avalia que a entrada de seu padrinho em cena foi usada pela oposição para desqualificá-la. Por isso está disposta a sair da defensiva.

Na terça-feira, depois de voltar de uma viagem ao Uruguai, onde vai tratar de obras de infraestrutura, Dilma comandará uma reunião com governadores e prefeitos de capitais que serão sede da Copa de 2014. Na quarta, terá almoço com senadores do PMDB, em mais uma tentativa de evitar nova rebelião de sua base no Congresso. No mesmo dia está previsto um encontro com o Conselho Político, que abriga presidentes de partidos aliados e só se reuniu uma única vez até agora. O lançamento do programa Brasil sem Miséria, vendido como vitrine social, deve ocorrer na quinta-feira.

Em estratégia considerada atrasada para conter as dissidências no PMDB, Dilma receberá muito mais senadores do partido nos próximos dias do que aqueles que recebeu em cinco meses de governo. Antes, porém, Temer promoverá reunião de emergência com peemedebistas amanhã, no Palácio do Jaburu, para tratar das fraturas na coalizão.

O auge da crise com o PMDB ocorreu quando Palocci ligou para Temer, a mando de Dilma, na madrugada de segunda-feira (23). Sem cerimônia, o petista teria avisado que os ministros do PMDB seriam demitidos se o partido aprovasse emenda ao Código Florestal concedendo anistia a desmatadores até 2008. O chefe da Casa Civil também teria feito a ameaça de que a degola começaria pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi, indicado por Temer. "Se é assim, é melhor o PMDB entregar todos os cargos", reagiu, irritado, o vice-presidente.

Quem vê Palocci agindo tão voraz com relação ao Código Florestal até esquece por um momento de que o ministro é alvejado por denúncias de enriquecimento vertiginoso quando era deputado federal.

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