O ex-chefe da Casa Civil e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner disse estar surpreso com a determinação do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de enviar um pedido de abertura de inquérito de investigação contra Wagner, para análise do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância em Curitiba.
“Recebo com surpresa a iniciativa do ministro Celso de Mello de solicitar a análise do pedido de abertura de inquérito à Justiça Federal em Curitiba. Segundo nota do site G1, o relator da operação Lava-Jato no STF, ministro Teori Zavaski, considerou que a ação não estava diretamente ligada ao esquema da Petrobras. Seu envio à 13ª Vara Federal, assim, causa estranheza. Mas quero reiterar que sempre estive e estou à disposição da Justiça para qualquer esclarecimento. As doações e despesas das minhas campanhas foram declaradas e devidamente auditadas pela Justiça Eleitoral. Assim, as supostas declarações do Sr. Nestor Cerveró são mentirosas e não possuem o menor fundamento na realidade,” finalizou.
O pedido de investigação apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chegou ao Supremo por meio de um processo oculto, o mais alto grau de sigilo das ações que tramitam na corte, e até então não era conhecido.
O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, considerou que o caso não estava diretamente relacionado ao esquema de fraudes que agia na Petrobras. Por este motivo, o pedido foi sorteado para um novo ministro e acabou no gabinete de Celso de Mello. O despacho do novo relator do caso afirma que Janot pediu a abertura de inquérito "em razão de fatos possivelmente ilícitos relacionados a Jaques Wagner", que, na ocasião em que foi solicitada a investigação, ainda possuia foro privilegiado como ministro de Estado.
A decisão não detalha quais suspeitas pesam sobre Jaques Wagner, apenas afirma que o pedido tinha relação com a Lava Jato.