Política

PF relaciona 'bunker' de Geddel com corrupção de PMDB da Câmara

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Valores eram usados em troca de aprovação de empréstimos na Caixa Econômica Federal  |   Bnews - Divulgação Reprodução

Publicado em 12/09/2017, às 06h00   Folhapress



A Polícia Federal relaciona, em relatório concluído nesta segunda (11), o "bunker" do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) com a atuação do grupo do PMDB na Câmara. 

O operador Lucio Funaro havia afirmado em depoimento em junho que repassou R$ 20 milhões de propina ao peemedebista em troca de aprovação de empréstimos na Caixa Econômica Federal. 

A PF diz, então, que como os valores encontrados no "bunker" superam a cifra citada por Funaro "faz inferir que o saldo remanescente pode ter se originado de outros esquemas ilícitos destacados ao longo do relatório, relacionados com a atuação do grupo do PMDB na Câmara", diz trecho do documento. 

"Inclusive envolvendo a ciência e participação do irmão de Geddel, o deputado Lucio Vieira Lima", completa. 
Não há, porém, no relatório prova ou outro indício concreto que aponte que o dinheiro achado é o mesmo dos esquemas narrados pela polícia. 

Geddel foi preso na última sexta (8), por decisão da Justiça Federal de Brasília. É a segunda vez que ele vai para o presídio da Papuda —na primeira, ficou apenas 8 dias e conseguiu um habeas corpus para cumprir prisão domiciliar, situação que se encontrava até ser preso de novo. 

BUNKER 

A PF encontrou na terça-feira (5) o "bunker" com milhares de notas em reais que, segundo a investigação, tinham impressões digitais do ex-ministro. 

A operação, nomeada de Tesouro Perdido, foi autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília. 
O total contabilizado foi de R$ 51 milhões, em reais e dólares. 

Os valores apreendidos foram depositados em conta judicial. 

Segundo a PF, após as últimas fases da Operação Cui Bono, foi possível chegar a um endereço, em Salvador, que seria utilizado para armazenagem de dinheiro. 

OUTRO LADO 

A defesa do ex-ministro disse em nota divulgada no domingo (10) que "mais uma vez, foram violados direitos que lhe são assegurados por lei". 

A nota da defesa traz ainda que, "além de ter sido impedido o acesso e a entrevista pessoal dos advogados constituídos por Geddel, ainda foi impossibilitada a participação na sua oitiva perante a autoridade policial". 
E que a "suposta emoção" atribuída a Geddel durante o depoimento divulgada por "fontes ligadas à investigação", foi "mais um atentado à sua dignidade e integridade moral, mediante a indevida exposição de uma pessoa submetida à custódia e responsabilidade do Estado." 

"Geddel irá refutar as consequências jurídicas que lhe são indevidamente imputadas, em momento oportuno, perante as autoridades competentes", conclui a nota.

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