Política

Blogueiro tinha moradia em Brasília paga por Eduardo Bolsonaro, apontam mensagens

Roque de Sá/Agência Senado

Mensagens inéditas obtidas pela CPI da Pandemia, e acessadas pela revista CrusoÉ, apontam que a família Bolsonaro bancava as ações do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, alvo de um mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Publicado em 29/10/2021, às 09h46    Roque de Sá/Agência Senado    Redação BNews

Mensagens inéditas obtidas pela revista CrusoÉ apontam que a família Bolsonaro bancava as ações do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, alvo de um mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Santos é apoiador de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e criador do extinto site Terça Livre. Segundo a publicação, mensagens de WhatsApp obtidas pela CPI da Pandemia indicam que a relação de Allan com a família presidencial envolvia ajuda financeira para a manutenção de suas atividades online.

Investigação conduzida pela Polícia Federal indica que os filhos de Bolsonaro costumavam se encontrar na casa do blogueiro para discutir estratégias políticas, e sugere que o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), o filho 03, ajudava a financiar a atuação do blogueiro. 

Em um dos diálogos, Allan dos Santos afirma que o parlamentar pagava sua moradia  quando se mudou para Brasília em 2019. " Já estou no bunker pago pelo Eduardo", disse ao deputado Filipe Barros (PSL) em mensagem trocada em 30 de setembro daquele ano.

Na ocasião os dois conversavam sobre ass vinhetas dos programas produzidos pelos canaos "Terça Livre" e "Onda Conservadora". 

"Aparece aqui. Tenho algo grandioso para te mostrar", convidou o blogueiro. As primeiras suspeitas de que Eduardo bancava o aluguel da casa localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília, foram levantadas naquele mesmo ano pelo cantor Lobão.

“A minha fonte lá de Brasília me mandou um WhatsApp: ‘Você sabe quem está morando aqui? O Allan dos Santos. Morando numa mansão no Lago Sul, que o Eduardo Bolsonaro está bancando’”, disse durante entrevista. 

Na época, o blogueiro não negou a informação, mas disse que era vítima de ameaças de morte e que o cantor colocava sua vida em risco ao falar abertamente seu endereço. Também de acordo com a CrusoÉ, as mensagens apontam que Eduardo era o membro da família Bolsonaro mais próximo a Santos. 

A reportagem descreve que a relação com o parlamentar envolvia encontros frequentes, nos endereços de ambos, e momentos de lazer e descontração – um deles na casa de um sócio de Santos que logo depois viria a celebrar um contrato sem licitação com o governo. 

"Eduardo vai", disse Santos a Barros em outra mensagem de 30 de dezembro de 2018. As mensagens obtidas pela reportagem ainda mostram que a casa no Lago Sul sediava “reuniões quinzenais” do blogueiro com apoiadores dos Bolsonaro e integrantes do governo.

Em conversa de agosto de 2019, o blogueiro pede a Eduardo Bolsonaro para marcar um encontro com o presidente do BNDES, Gustavo Montezano. Na ocasião, o blogueiro convidou o próprio Eduardo para participar do próximo encontro na casa, e lembrou que o senador Flávio Bolsonaro (Patriota), irmão de Eduardo, já havia passado por lá.

“Flávio já veio aqui. Falta você”, escreveu Santos ao filho 03. Eduardo respondeu: “Alan, hoje estou em São Paulo. Reunião na Fiesp com empresários que têm interesse nos EUA”. O blogueiro, então, replicou: “Daqui a quinze dias teremos outra [reunião]. Fala pro Gustavo ir. Do BNDES. Se ele estiver por aqui”.

Então, Eduardo escreve: “Me passa o dia. Que daí já bloqueio aqui na agenda”. 

Os convites para as reuniões quinzenais eram disparados para uma lista com 18 nomes, dentre os quais estavam, além de Flávio e Eduardo,  Fabio Wajngarten, então secretário de Comunicação da Presidência da República; e o assessor especial da Presidência da República Filipe Martins - recentemente absolvido pela Justiça de acusações por racismo.

Parlamentares como Bia Kicis, atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, Caroline de Toni, Filipe Barros, Felipe Francischini e Luiz Philippe de Orleans e Bragança também recebiam os convites.

Os relatórios da PF mostram, inclusive, que o blogueiro chegou a consultar o ideólogo Olavo de Carvalho sobre os “limites” da ajuda financeira que seu canal poderia receber do governo. Em um manuscrito apreendido pelos policiais, Allan registrou uma conversa que teve com Olavo na qual tratava do tema. 

“Perguntei: Professor, qual o limite para o Terça Livre receber aporte financeiro do Governo? Olavo: NENHUM”, anotou Santos. No mesmo manuscrito, o blogueiro registra algumas das diretrizes que guiavam seu trabalho, baseadas na conversa que teve com Olavo de Carvalho, em janeiro de 2019. 

Uma delas dá a medida da afeição do grupo a opiniões políticas divergentes: “Banir a oposição ideológica para sempre”. A revista informa que tentou ouvir o blogueiro bolsonarista sobre o teor da reportagem, mas não teve retorno até a publicação da reportagem. 

O advogado do Terça Livre, Renor Oliver, por sua vez, disse que não teve acesso à investigação da PF e que não tem procuração para responder por Allan dos Santos como pessoa física. Também procurados, Eduardo e Flávio Bolsonaro não se manifestaram.

Por fim, Wajngarten respondeu que nunca participou de qualquer reunião na casa do Lago Sul.

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