Não sou analista político. Aliás, sempre disse e repito que papel de quem está no governo não é ficar falando, é trabalhar. Mas deixa eu dar um pitaco na anti-agenda de setores da oposição que, no afã de lutar contra o Governo, acabam por pelear contra o Brasil; na ansiedade de opor ao PT, terminam sendo contra a Democracia; na pressa em condenar a inclusão e a tolerância, findam por se aliar ao ódio. Senão, vejamos.
Enquanto a sociedade brasileira se mobiliza para combater o Aedes Aegypti, estes setores buscam politizar o debate. De um lado, governo, empresas, movimentos sociais, igrejas, a sociedade civil organizada firma parcerias e se une contra a ameaça do zika, da dengue e da chikungunya; do outro lado a busca não por soluções, mas por culpados. Na imprensa – onde, sim, setores da oposição estão organizados e fazendo a disputa política da agenda nacional – há quem já ponha em xeque o sucesso dos Jogos Olímpicos do Rio, tal qual tentaram fazer, em vão, com o fracassado “não vai ter Copa”, em 2014.
No âmbito da Política em si, eles seguem a insana saga de reestabelecimento do debate acerca do impeachment. Mesmo baseado em um ato de vingança e retaliação do presidente da Câmara, mesmo com o “freio de arrumação” em defesa da Constituição dado pelo STF e, sobretudo, mesmo sabendo que não há fato concreto, não há crime de responsabilidade, não há nada que fundamente a ideia, estas parcelas da oposição insistem na discussão sobre o impedimento. Essa insistência releva (i) a intenção de aumentar a pressão sobre o TSE, mas também (ii) o inconformismo com a derrota nas urnas, (iii) o desrespeito à soberana vontade popular expressa nas urnas e (iv) a vivacidade da histórica sanha golpista dessa turma.
Aliás, por falar em medo e desrespeito às urnas, a campanha de injúria e mentiras que cercam o ex-Presidente Lula e sua família é o que senão a tentativa de, desde agora, inviabilizar “seu nome na cédula” em 2018? É outra coisa que não a paúra de nova derrota nas urnas (já perderam quatro seguidas)?
Por fim, e não por isso menos grave, estes setores da oposição seguem reforçando a retórica da crise econômica, ignorando o agravamento do quadro mundial e sua influência sobre o Brasil e apostando contra todos e quaisquer planos do governo – chegando ao cúmulo da hipocrisia ao votar contra projetos historicamente ligados às suas próprias agendas, como admitiu o novo líder do PSDB na Câmara em recente entrevista. No pensar deles, a aposta no “quanto pior, melhor” é a pauta diária, não se importando que isso na prática signifique a inviabilização da retomada do nosso país.
Como disse antes, nossa tarefa é governar. Nossa pauta não é torcer contra as Olimpíadas, mas seguir trabalhando para fazer destes Jogos um evento tão bem sucedido quanto foi a Copa do Mundo. Nosso esforço não é buscar culpados pela dengue, zika ou chikungunya, é construir um pacto nacional, entre governos e sociedade, pelo combate ao mosquito, pela pesquisa de novas vacinas e pela proteção e tratamento das nossas mães e bebês, principalmente. Nossa agenda, assim, é identificar nas dificuldades novas oportunidades, e seguir acreditando nas saídas que tragam o retorno do desenvolvimento, do crescimento econômico e da inclusão social no Brasil.
*Éden Valadares foi secretário de juventude do PT/BA, coordenador de PPJ do Governo da Bahia e atualmente é assessor especial do ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner