Política

Vamos rebater o 7 a 1?

Publicado em 04/06/2016, às 08h18   Eden Valadares*



Quem é boleiro, gosta de futebol, quem é comentarista de bar ou acompanha as resenhas esportivas conhece a máxima: "Se, não ganha jogo".

Terminada uma partida, frequentemente somos levados a questionar aquela decisão duvidosa do árbitro, um erro do bandeirinha, uma bola que bateu na trave e, "se entra", mudaria o resultado final da disputa. De bate-pronto, somos lembrados que o "se" não ganha jogo. Geralmente, a frase é dita pelo torcedor do time beneficiado pelo erro. Ora, o que está feito está feito, não é?

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Felizmente, política não é futebol. A Constituição Federal não é regulamento. A Democracia não é campeonato.

Durante as últimas duas semanas a sociedade brasileira toma conhecimento de fatos que revelam as reais intenções do processo de afastamento da Presidenta Dilma. Ao contrário do que pregava a Oposição, os Movimentos Revoltados Online da vida ou parte da imprensa, o impeachment não teve nada a ver com pedaladas ficais, crime de responsabilidade ou mesmo com a condução da economia. Foi uma conspiração para tomar a Presidência de quem foi eleita; um conluio para implementar medidas de arrocho de um projeto que perdeu as últimas quatro eleições; uma armação para tentar barrar a Operação Lava-Jato e estancar o combate à corrupção.

Usando ainda a analogia do futebol: não foi impedimento; foi golpe.

Os diálogos de Sérgio Machado, ex-senador do PSDB e membro da cúpula do PMDB, com Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney são provas incontestáveis. Mas não somente eles. A revelação de que o MBL, tido como apartidário e independente, recebeu dinheiro do DEM, do SOLIDARIEDADE, PMDB e do próprio PSDB, são provas do quão manipulada foi a opinião pública nacional para acreditar que se tratava de um processo justo, legal, uma campanha cívica para "melhorar o Brasil".

Enganaram alguns. Manobraram muitos. Manipularam milhares. Mas a farsa está revelada.

Aliás, a farsa já poderia estar revelada desde março, ou seja, mesmo antes das votações na Câmara e no Senado. E "se" fossem publicadas, o resultado das mobilizações de rua seriam os mesmos? "Se" viessem à tona, as votações teriam o mesmo placar?

"Se não ganha jogo", dirão Kim, Aécio e Temer. Mas, certamente, mudam resultado do campeonato. Revelações assim tiraram a medalha de Ben Johnson; excluíram Maradona da Copa; anularam títulos da Juventus de Turim.

Como já afirmado acima, se mesmo nos esportes, revelações de ilegalidades transformaram o resultado de campeonatos, imagina quando estamos tratando da Democracia.

Cresce - apesar do ensurdecedor silêncio do Datafolha e do Ibope - a desaprovação popular ao governo provisório. Aumenta a percepção sobre a ilegitimidade e ilegalidade do processo. E sobe ainda mais o sentimento de busca por uma saída para a crise política que não seja marcada por manobras escusas, objetivos vis e personagens corruptos.

A sociedade brasileira quer um resultado justo, conquistado dentro das regras, dentro das leis, e não no tapetão. E neste caso, o juiz, a última palavra, a quem cabe a sentença final é o cidadão. Temos a chance de virar este 7x1. Vamos à luta?


*Éden Valadares, 34, foi secretário de juventude do PT, chefe-de-gabinete do ministro Jaques Wagner e hoje é assessor especial da Presidenta Dilma Rousseff.

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