Política

Dilma abandona Geddel

Imagem Dilma abandona Geddel

Candidata do PT descartou aliado e lembrou até o ex-presidente FHC

Publicado em 22/09/2010, às 09h29        Daniel Pinto

Não se fala em outro assunto, seja no meio político, nas rádios ou nas rodas de bate-papo. Dilma Rousseff foi, no mínimo, desleal com Geddel Vieira Lima (PMDB), um aliado que esteve ao seu lado desde o início, inclusive, quando a candidata petista estava 15 pontos atrás de José Serra (PMDB).

A ex-ministra desconstruiu ontem, durante entrevista em Salvador, o discurso do palanque duplo na Bahia. “Agora, neste exato instante, eu tenho o apoio claro do governador Jaques Wagner”, disse a ex-ministra no Farol da Barra.

Dilma alegou que a postura foi definida porque Geddel está mal nas pesquisas e não tem mais chances de ser eleito. Como bem lembrou o jornalista Levi Vasconcelos, na sua coluna Tempo Presente, veiculada hoje no jornal A Tarde, no Amazonas Alfredo Nascimento (PR) tem 37% das intenções de voito contra 53% de Omar Aziz (PMN). No entanto, Lula e Dilma apoiam Nascimento.

A posição circunstancial faz com que o eleitor imagine que se houvesse dois aliados nas eleições de 2006, ela abandonaria Jaques Wagner, já que o cenário apontado pelos institutos era a reeleição segura de Paulo Souto (DEM).  

Além disso, o que Dilma irá dizer aos militantes do PMDB que ouviram dela que Geddel era seu candidato? O apoio foi declarado abertamente na convenção do partido, realizada em junho, no Wet'n Wild, na qual a candidata petista se fez presente e discursou em prol da coligação “A Bahia tem pressa”.

Uma saída honrosa seria parafrasear o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, assim que assumiu o poder, pediu para os brasileiros esquecerem tudo o que ele escreveu sobre ideologia e reforma social quando ainda era sociólogo de esquerda.

A Geddel resta lembrar o samba “Argumento”, de Paulinho da Viola, que destaca: “Faça como um velho marinheiro/ Que durante o nevoeiro/ Leva o barco devagar”.

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