Política

Racha entre lideranças petistas pode desequilibrar disputa interna

Imagem Racha entre lideranças petistas pode desequilibrar disputa interna

Valmir Assunção busca estrutura a EPS enquanto Marcelino Galo desembarca no Movimento PT

Publicado em 29/01/2013, às 10h25        Luiz Fernando Lima (twitter: @limaluizf)

Duas correntes internas do Partido dos Trabalhadores (PT) que são dissidências da Articulação de Esquerda (AE) disputaram a preferência dos militantes com vieses mais ideológicos que compõem a base de sustentação da legenda no estado no último final de semana. Durante todo o sábado (26), os integrantes da tendência “Movimento PT (MPT)” se reuniram na Faculdade de Arquitetura da Ufba no lançamento oficial do núcleo baiano do agrupamento. No plano federal, a MPT tem como representante a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Simultaneamente, em outro espaço na capital baiana, um grupo de representantes da Esquerda Popular Socialista (EPS) se reunia para discutir o papel da tendência, criada em 2011, nas eleições internas do PT, que acontece em 10 de novembro, além de iniciar um debate sobre a sucessão estadual e federal. O deputado federal, Valmir Assunção, é uma das principais lideranças da corrente que, assim como o MPT, tem relação umbilical com os movimentos sociais, principalmente, o MST e outros que lutam pelas reformas agrária e urbana.

O prefeito de Vitória da Conquista, Guilherme Menezes, foi lançado pré-candidato durante o evento do MPT. Ao lado dele, o deputado estadual Marcelino Galo foi alçado ao posto de postulante à presidência do PT na Bahia. Interessante neste caso é que Marcelino fez dobradinha com Valmir Assunção na eleição de 2010 e a dupla teve expressiva votação. Os dois migraram juntos da AE para a EPS e as reais motivações para que o primeiro optasse por partir para outra corrente ainda não vieram à luz.

A existência de correntes internas e das disputas travadas dentro do PT ganha projeção não apenas pelo Processo de Eleição de Direto (PED) que será realizado em 10 de novembro deste, mas pela possibilidade de influenciar diretamente na montagem da chapa majoritária e proporcional de 2014. Para além, a distribuição dos espaços no primeiro, segundo e terceiro escalão da gestão de Jaques Wagner também sofrem influência direta da composição do partido. Obviamente, que as vagas também abrigam os indicados de outras legendas que estão no projeto.

As outras tendências tais como Reencantar, Democracia Socialista e Construindo um Novo Brasil, assistem à movimentação de camarote. Sabem que o racha político entre Valmir e Galo os favoreceu. Não há ainda um levantamento percentual ou em números absolutos que mensure cada corrente interna, mas, o que se sabe, é que os dois grupos podem pautar a agenda do partido. Contudo, seria necessária a reaproximação dos dois representantes. Algo que ninguém aposta que acontecerá, ao menos, a tempo da eleição interna.

Sobre a possibilidade de voltar a presidir o partido, Marcelino Galo, faz a seguinte reflexão: “qualquer militante do PT tem o direito de pleitear qualquer coisa dentro do partido e fora dele. No PT não existem os caciques. Os donos do PT são os militantes. Meu nome é lembrado porque fui presidente do partido no período mais difícil da história – 2005 durante o escândalo do processo chamado “Mensalão” - e também durante a vitória mais significativa que foi quando derrotamos uma das oligarquias políticas mais antigas deste país que é a que deu sustentação à ditadura militar, chamada “Carlismo”- em 2006, Jaques Wagner ganhou a primeira eleição para governador.

Em conversa com a reportagem do Bocão News, na última semana, Valmir afirmou que a EPS está em outro momento. “Não estamos discutindo nomes ainda”. Sobre a “separação”, o deputado federal garante que não foram eles (EPS) que racharam. “Em 2010 nós lançamos ele candidato a deputado. Nós continuamos no mesmo lugar, da mesma forma e defendendo as mesmas coisas que acreditamos. Nós não rompemos. As pessoas são livres para deixar”, mas, se depender de Assunção, Marcelino não volta a presidir o partido. Questionado se daria o apoio ao correligionário e ex-parceiro de corrente. “De jeito nenhum. Não tem meu apoio porque ele rompeu conosco e foi construir outro caminho. Significa que eu não sirvo para ficar junto com ele”.


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