Política

Marina Silva perdeu a grande oportunidade da vida, afirma Chalita

Imagem Marina Silva perdeu a grande oportunidade da vida, afirma Chalita
Deputado federal esteve na Bahia para debater projetos de Educação   |   Bnews - Divulgação

Publicado em 19/10/2013, às 12h23   Luiz Fernando Lima (twitter: @limaluizf)



O presidente da comissão de Educação da Câmara Federal, Gabriel Chalita (PMDB) esteve em Salvador nesta sexta-feira (18) para conhecer os projetos implementados na cidade voltados para área Educação que possam integrar a lista de experiências selecionadas pelo Observatório da Educação Brasileira. Na oportunidade, em uma entrevista exclusiva o pemedebista analisa a filiação de Marina Silva ao PSB, dispara contra José Serra e afirma que o excesso de partidos políticos é a “lastima da política brasileira”. Confira!

Qual a proposta destas reuniões promovidas pela comissão de Educação da Câmara Federal?

É preciso valorizar quem está na escola. Existem muitos consultores, muitos teóricos que falam da educação, às vezes, sem a experiência do dia a dia na escola, sem conhecer a realidade da escola. Nós resolvemos formatar um projeto chamado “Observatório da Educação Brasileira”. Este projeto visa valorizar as práticas já realizadas nas escolas do país. Vários estados brasileiros estão fazendo estes observatórios e em cada um buscamos as experiências que podem ser replicadas em outros lugares do Brasil. Ontem, fizemos um regional em Vitória da Conquista com a participação de diversas regionais e agora eles terão um mês para fazer a seleção de alguns projetos que serão encaminhados para Brasília. Aqui em Salvador os projetos foram escolhidos antes e a gente vai levar direto para lá. Isso é muito rico, por que o Amazonas tem projetos incríveis de educação, o Sul também tem. Cada lugar tem experiências muito particulares e que podem ser replicadas.

Estes projetos serão levados para onde? Qual o objetivo?

Todos serão direcionados para Brasília. Agora, em dezembro, temos um seminário e a partir deste evento a gente vai criar o grande portal da educação brasileira. Alguns projetos serão “vitoriosos”. Aqueles projetos que a comissão enxergue o potencial para replicar em outros lugares. Um dos projetos apresentados aqui, eu tenho a certeza que pode ser aplicado em diversos outros estados do país. Consiste em estreitar o diálogo entre educação e saúde. A inclusão destes modelos é fundamental. Este é um projeto que deve ser replicado no Brasil. Nós, da comissão de educação, acreditamos em uma Educação de baixo para cima e não o contrário. A gente quer pegar estas experiências e construir políticas públicas a partir delas.

Mudando um pouco para a política partidária, o ex-ministro Geddel Vieira Lima defende uma concepção de que é preciso o PMDB ter um projeto nacional que tenha alguém do partido liderando, encabeçando a chapa. O senhor compartilha desta opinião?

Eu acho que é muito cedo para que o PMDB consiga apresentar uma candidatura própria. O PMDB fez uma parceria com o PT, começou a desenvolver um trabalho nacional dos dois partidos e não preparou uma candidatura para presidente. Uma candidatura para presidente não brota de uma hora para outra. O que tenho percebido no diretório nacional do PMDB, nas reuniões da executiva, é que existe um projeto de ter uma candidatura própria, não em 2014, mas em 2018. A tendência é que se mantenha esta parceria com o PT em 2014.

Como o senhor vê estas alianças pouco pragmáticas no estado. Em São Paulo, o PMDB esteve no governo de Geraldo Alckmin (PSDB). Aqui fez parte do primeiro governo Jaques Wagner (PT), depois rompeu. No Rio de Janeiro está com PT. Enfim, impera na política e isto não exclusivo do PMDB as relações regionais em detrimento do programa partidário?

Isso é a lastima da política brasileira. Porque um país não pode ter mais de 30 partidos, não há 30 ideologias. Por causa disso, acabou a verticalização e em cada lugar do Brasil o cenário é completamente diferente. Tem lugares que o PT está com o DEM, o PSDB com PDMB, DEM com Psol, PR e PP do outro lado. Hoje, o que vale são as relações entre as pessoas. A quantidade de partidos, a ausência de marcas ideológicas partidárias empurrou o cenário para este modelo. O PMDB se orgulha de ter lutado pela democracia e para consolidação destas liberdades. Cada partido defende as grandes bandeiras que o caracterizou, mas as outras particularidades se sobrepõem, se interpõem. Então, vale muito mais os arranjos pessoais. Pessoas que se unem para, juntas, construir um projeto para uma cidade ou um estado. Não existe lógica nenhuma nas alianças partidárias. Cada lugar é de um jeito.

Como o senhor avalia a aliança Marina Silva e Eduardo Campos?

Eu tenho mais duvidas do que certezas na vida, mas eu confesso que na minha visão Marina perdeu a grande oportunidade da vida dela. Porque ela fez toda uma crítica a uma série de práticas políticas e se uniu a um partido que é um partido como todos os outros partidos. Tem coisas boas e coisas ruins. Eu acho que ela poderia se apresentar como a “antipolítica”, no sentido ruim da palavra política. Ela dizia que não queria dinheiro de empreiteira não queria dinheiro de banco. Que faria campanha com menos dinheiro. Não é possível que ela seja ingênua a ponto de achar que Eduardo Campos não tenha dinheiro de empreiteira, não tenha dinheiro de banco. Eu não sou contra isso. Eu considero que existem empreiteiras sérias e outras não sérias; banco sério e banco não sério. Ela perdeu uma oportunidade grande, pelo purismo que pretendia representar, de ser diferente. Não conseguiu montar a Rede. Havia partidos pequenos que ela poderia entrar com a Rede e transformar, mas ela fez uma opção pragmática. Com isso ela mostra que o pragmatismo existe na política brasileira. Então, não dá para criticar o pragmatismo de outros partidos.

As denúncias que fizeram de seu enriquecimento a partir das relações que teve com empresas à época em que era secretário de Educação em São Paulo continuam ou foram arquivadas?

Estas denúncias foram feitas pelo comitê de campanha do José Serra (PSDB). É sabido o quanto Serra não gosta de mim. Depois de eu ter denunciado ele por ter destruído a Educação em São Paulo. Eu fiz muitas denúncias contra ele. Evidente que fiquei muito chateado com aquilo, porque toda a minha produção intelectual está relacionada com a ética. Mas 90% das denúncias já foram arquivadas e nenhuma ação foi aberta contra mim. Um ano depois das denúncias nenhuma ação foi aberta. Coisas absurdas foram ditas: falaram que eu tinha conta bancária na China, ai a própria imprensa reconheceu que isso seria impossível porque ninguém, além dos próprios chineses, pode ter conta na China. Contas em outros países como Luxemburgo também foram levantadas. Foram coisas absurdas que quando atingem uma pessoa séria não tem como não doer. A injustiça dói. Eu sou um dos poucos políticos que estiveram em cargos Executivos e não têm nenhuma ação movida contra. Eu lancei meu último livro “O livro dos valores para crianças”, foi o primeiro depois de todas as denúncias, e ele vendeu 100 mil exemplares em três semanas. O professor tem confiança em mim, o meu eleitor tem confiança em mim. Tem muita gente que me conhece como escritor, independente das questões políticas. Eu acho que este denuncismo mentiroso faz muito mal à política. Isto é uma prática de perversidade. Acontece nas campanhas. Muitas pessoas sérias e corretas são atingidas, não estou falando de mim. Isto aconteceu na campanha presidencial de Dilma Rousseff contra José Serra. O Serra age muito no subsolo da política, no submundo. Por exemplo, começou uma história de dossiê. Eu dizia vote nela ou não vote nela, mas pela verdade e questões concretas e não pelas fajutas denuncias.

Como está o cenário pré-eleitoral em São Paulo? O PT deve lançar o ministro da Saúde, Alexandre Padilha e o PMDB tem o pré-candidato Paulo Skaf, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Qual é o cenário?

Acho que está muito cedo ainda para definir o cenário eleitoral. A tendência é Padilha ser lançado pelo PT. O Alckmin buscar a reeleição pelo PSDB. Os outros partidos estão se aliando aqui e ali. O PMDB tem a pré-candidatura de Paulo Skaf, mas ainda não houve convenção e, portanto, muita coisa vai acontecer até o fechamento deste plano.

No âmbito da Educação o que pode ser esperado?

Conceitualmente, muita coisa está melhorando. Por exemplo, temos mais recursos para Educação. Os 10% do PIB para Educação foi uma conquista, inclusive, da comissão da Câmara Federal. A questão dos royalties para Educação também. O Plano de Educação tem metas incríveis, mas não adianta ter metas incríveis se elas não são cumpridas. Uma das metas era de Anísio Teixeira: fazer com que as escolas fossem em tempo integral. Estabelece a meta que dentro de 10 anos nós teremos que ter 50% das escolas em tempo integral. Vai ter? não se sabe. Depende de um pacto real pela Educação, precisa de vontade política. Às vezes, me incomoda muito a gente ter muitas leis para Educação e a gente não ter a concretude destas leis. Está na hora de trazer o discurso para a prática.

Publicada no dia 18 de outubro de 2013, às 18h35

Classificação Indicativa: Livre

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