Política

"De oposição eu conheço. Fui oposição por 16 anos", diz Nilo

Imagem "De oposição eu conheço. Fui oposição por 16 anos", diz Nilo
Agora nos braços do governo, o presidente da Assembleia repete os erros que criticava  |   Bnews - Divulgação

Publicado em 30/03/2011, às 18h25   Ivana Braga



Distribuindo elogios para todos os lados, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo (PDT), defendeu, nesta quarta-feira (30), a manutenção do voto secreto, afirmando que a colega Luiza Maia (PT), que tenta derrubar o “segredo” nas votações da Casa, não conseguirá aprovar a proposta.

Nilo disse que vai colocar a proposta em plenário na terça-feira (5), mas que tem certeza que a petista não vai obter mais do que 12 votos favoráveis. De acordo com o presidente do legislativo baiano, 99% das votações da Casa são decididas no voto aberto, mas que há necessidade de manter alguns casos, como a eleição para mesa diretora, vetos do governo a leis aprovadas pelo Legislativo, e indicação de conselheiros dos tribunais de contas.

De acordo com Nilo, sempre que a votação trata de “julgamento”, o voto deve ser mesmo secreto, como é, segundo ele, em qualquer lugar do mundo. “Não dá para expor pessoas, colocá-las em constrangimento”, defendeu.
As declarações do presidente da Assembleia Legislativa foram dadas durante o programa Se Liga Bocão, veiculado pela rádio Itapoan FM. Por falar em rádio, o deputado disse que não se dá ao trabalho de conceder entrevista em rádio que tem mais dois dígitos de audiência.

Durante a entrevista, da qual participou o comentarista Fábio Mota, Nilo negou declarações atribuídas ao ex-ministro Geddel Vieira Lima dando conta que ele (Nilo) estaria chateado com o governador Jaques Wagner por sentir-se desprestigiado.

A reação de Nilo foi tecer os maiores elogios a Wagner, a quem chamou de “o maior democrata” que já conheceu, disse ser amigo, ter um enorme apreço. “Nossa relação é muito boa ao ponto de ele ter me convidado para acompanhá-lo em viagem á Polônia”, vangloriou-se, numa clara demnonstração de que goza do prestígio de Jaques Wagner.

Nilo repetiu por diversas vezes o fato de assumir, pela terceira vez consecutiva, a presidência da  Assembleia Legislativa até ser alfinetado pelo apresentador Zé Eduardo: "você foi nomeado pelo governador, não?" Nilo reagiu rapidamente. "Não, fui eleito", corrigiu.

Criticado por ter sido autor da proposta de aposentadoria para ex-governadores, considerada uma proposta “imperdoável e imoral”, Nilo tentou justificar. Segundo ele, a proposta era de conceder aos ex-governadores os mesmos direitos dos servidores públicos que, após contribuir 35 anos com a Previdência, como acontece com qualquer trabalhador.

Nilo jogou a culpa da reação contrária na imprensa ao afirmar que “a imprensa interpretou mal”.

Sobre o embate ocorrido na tarde desta terça-feira (29) entre os parlamentares durante os trabalhos legislativos, o presidente da Assembleia foi categórico ao afirmar que projeto de deputado só é votado na base do acordo. “Os deputados não marcam presença para votar o projeto do colega. Se não for na base do acordo, não sai”.

Nilo disse que os 22 projetos já haviam sido submetidos à avaliação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Mas, com o questionamento jurídico do deputado Elmar Nascimento, decidiu entregar as matérias para análise dos líderes, para que eles possam chegar a um acordo.

Em um momento da entrevista, Zé Eduardo deu outra "cutucada" em Marcelo Nilo, ao afirmar que depois de o prefeito de Salvador, João Henrique, ser massacrado pela críticas do grupo político do governador, passou a desfilar de braços dados com Wagner e as críticas cessaram. O presidente da Assembleia não perdeu o "rebolado" e saiuna defesa de Wagner. "O governador fez uma parceria administrativa com o prefeito. Como governador, ele tem que saber separar o político do administrativo e fazer parcerias com qualquer prefeito visando o melhor para a cidade, para o povo".

Sem nem de longe lembrar o aguerrido deputado que foi quando na oposição, o presidente da Assembleia Legislativa não economizou nos elogios. Ex-aliados e os inimigos do passado, hoje aliados políticos, todos transformaram-se em grandes personalidades na visão do governista. 

Assim, ele distribuiu elogios para o ex-prefeito Antônio Imbassahy (PSDB), atual deputado federal e ex-correligionário, para o ex-ministro Geddel Vieira Lima, os deputados Zé Neto, Targino Machado (PSC) e Reinaldo Braga (PR), além do governador Jaques Wagner e o prefeito, todos passaram a ser merecedores de referênciaselogiosas.

Sobre João Henrique, o deputado disse ser "como pessoa, um homem com muitas qualidades. Como político tenho minhas reservas, especialmente por suas constantes mudanças políticas. Mas temos que saber separar".

Fotos: Edson Ruiz // Bocão News

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