Política

'Agora é a mobilização de rua que vai fazer a diferença para a gente aprovar', defende Daniel Almeida sobre PEC contra escala 6x1

Joilson César / Bnews
Daniel Almeida conta que foi testemunha das explosões em Brasília  |   Bnews - Divulgação Joilson César / Bnews

Publicado em 15/11/2024, às 12h31 - Atualizado às 12h36   Alex Torres e Yuri Pastori



O deputado federal Daniel Almeida (PC do B) esteve no Farol da Barra, na manhã desta sexta-feira (15), para defender o fim da escala 6x1. Ele defendeu a proposta que está sendo muito discutida nas redes, após ser apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP) na Câmara dos Deputados.

"É uma bandeira necessária, é uma bandeira muito atual, porque todos nós sabemos que a jornada de trabalho no Brasil é uma das mais elevadas no mundo. O mundo civilizado, que tem já um patamar de industrialização, de agregação de trabalhadores na atividade produtiva, tem jornada média entre 32 e 36 horas. O Brasil tem uma jornada média no patamar de 40 horas. A Constituição estabelece 44 horas, mas a Constituição já tem 36 anos que foi promulgada", disse.

O parlamentar ressaltou as mudanças no mundo do trabalho. "Olha o que aconteceu de lá pra cá. Tudo mudou, o mundo do trabalho mudou, novas profissões surgiram, novas tecnologias foram agregadas ao processo produtivo. Todos esses avanços estão sendo apropriados pelos patrões, pelo capital. Os trabalhadores precisam participar disso. O trabalhador precisa se qualificar todo dia para se manter no mercado de trabalho. Precisa ter mais tempo para estudar, mas tem direito também a ter o lazer, a viver com a família, a professar sua religião, a ter acesso à cultura", afirmou. 

Almeida acredita que a mobilização nas ruas ajuda, para que a proposta seja aprovada. "Muitos diziam que não ia ter as assinaturas necessárias para a PEC tramitar. Em pouco tempo, com as redes sociais pressionando, chegou-se a mais de 200 assinaturas. Agora é a mobilização de rua que vai fazer a diferença para a gente aprovar. Olhando para o perfil do Congresso Nacional, que é majoritariamente conservador, a gente pode dizer que não vai passar. Mas não é assim. Quando a mobilização popular acontece, as coisas mudam.E é isso que a gente está verificando aqui. Existem pessoas que seriam contrárias a pauta, que falam que seria inviável economicamente e aí falam que isso poderia gerar redução na questão salarial ou até perdas de emprego", disse.

O comunista comentou sobre os argumentos trazidos por pessoas que são contrárias a PEC.

"Olha, tem muita gente que sempre foi contra qualquer mudança, qualquer renovação. As mesmas vozes que no passado diziam que se acabasse a escravidão, a economia do Brasil ia parar. São as mesmas vozes que no passado resistiam ao 13º salário, às férias, ao direito, à licença maternidade. Quando Getúlio Vargas fez a CLT, o Decreto-Lei 54-52 de 1943, houve um levante dessas vozes do atraso que diziam que o Brasil ia parar, que não ia ter atividade".

O deputado disse que foi testemunha das explosões em Brasília. Ele é contra a anistia dos envolvidos em atos antidemocráticos.

"Pois é, o acontecimento de Brasília fui testemunha ocular. Eu estava saindo do anexo 4 da Câmara dos Deputados e estava a menos de 20 metros daquela explosão do carro ali próximo do anexo 4. Tem uma imagem aí que aparece um carro branco, eu estava nesse carro branco, vi tudo aquilo. E além de ser testemunha ocular, que foi um susto naquele momento, depois que eu percebi a dimensão do problema, nós entendemos que aquele episódio se encaixa no contexto daqueles que no Brasil têm insistido em não aceitar a democracia, não aceitar o processo de convivência institucional, pessoal, na sociedade da diferença. Então são crimes que vão se sucedendo. É a mesma lógica daqueles que não queriam o resultado da urna na eleição de 2022, que tentou sabotar ocupando os quartéis, que tentou sabotar jogando bomba na sede da Polícia Federal, que tentou sabotar tentando explodir um caminhão de combustível no aeroporto de Brasília, que tentou sabotar com o 8 de janeiro. É a mesma lógica, é a mesma fonte, é o mesmo sentimento e isso é crime. Essas pessoas serão responsabilizadas criminalmente. Tem um fato que fica indubitável. Esse episódio enterra de vez a ideia da anistia do 8 de janeiro.Alguns estão dizendo que aquele ato passou, deixa pra lá, vamos pacificar o Brasil produzindo uma anistia. Nós não podemos anistiar criminosos que continuam articulando e praticando o crime.Esse não pode ser anistiado", concluiu.

Assista a entrevista completa do deputado Daniel Almeida:

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)