Política
O deputado federal Capitão Alden (PL/BA) atribuiu àquilo que chamou de “indústria de fake news” a redução da diferença entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. Em entrevista ao programa Se Liga Bocão, da Rádio Baiana FM, nesta quarta-feira (21), o parlamentar defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro, contestou críticas às propostas de Flávio e acusou o atual governo de promover restrições à liberdade de expressão.
“Eu não tenho dúvidas de que foi devido à indústria de fake news”, declarou Alden, ao comentar a aproximação entre os dois nomes nas pesquisas. Segundo ele, durante a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência, adversários políticos teriam difundido informações falsas sobre supostas ameaças às liberdades individuais, incluindo a possibilidade de perseguição a homossexuais, fechamento de veículos de imprensa e restrições à liberdade de expressão.
O deputado classificou o governo Bolsonaro como “o governo mais democrático da história” e questionou quais veículos de imprensa teriam tido o direito de opinião ameaçado durante a gestão. Ao ser lembrado pelo jornalista Henrique Brinco de que Bolsonaro retirou verbas publicitárias de veículos de comunicação, Alden afirmou que a distribuição de publicidade seria diferente de impedir a manifestação de opiniões.
“Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. Publicidade é uma coisa. Reprimir a sua fala, a sua opinião é coisa diferente”, respondeu. Alden reconheceu que Bolsonaro tinha um perfil mais agressivo e ríspido, mas argumentou que o ex-presidente nunca impediu jornalistas de expressarem suas opiniões nem determinou o fechamento de redes sociais ou veículos de comunicação.
Brinco também lembrou que Bolsonaro chegou a falar em fechar a TV Globo. Alden respondeu que a medida não foi concretizada e, em seguida, acusou o atual governo de promover ações contra plataformas digitais, veículos de comunicação e livros. O parlamentar também criticou punições aplicadas a políticos por declarações e opiniões, afirmando que a possibilidade de sanções gera receio de manifestação pública.
“Hoje falamos muito em democracia, mas como tenho democracia se eu tenho que pensar quatro, cinco vezes antes de falar?”, questionou. Para Alden, é necessário estabelecer critérios claros para definir o que constitui discurso de ódio, evitando, segundo ele, punições baseadas em interpretações subjetivas.
Bolsa Família
Alden também contestou as críticas às propostas econômicas de Flávio Bolsonaro, especialmente as alegações de que o senador poderia acabar com o Bolsa Família. O deputado afirmou ter lido as 76 páginas da proposta do pré-candidato e desafiou os críticos a apontarem onde estaria prevista a extinção do programa social.
“Você dizer que Flávio Bolsonaro vai acabar com o Bolsa Família? Onde está dito isso? Eu li toda a proposta de Flávio Bolsonaro: são 76 páginas. Me diga, me aponte qual é a página que ele fala que vai acabar com o Bolsa Família”, declarou.
Na sequência, Alden comparou as regras do Auxílio Brasil, criado durante o governo Bolsonaro, com as atuais normas do Bolsa Família. Segundo ele, no modelo anterior, beneficiários que conseguissem emprego com carteira assinada poderiam continuar recebendo o auxílio por até dois anos, enquanto a regra atual permitiria a permanência por um ano.
O parlamentar afirmou que a proposta defendida pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro seria retomar a possibilidade de manutenção do benefício por dois anos para quem ingressasse no mercado de trabalho. Segundo sua interpretação, após esse período, quem não conseguisse se estabelecer profissionalmente poderia voltar a receber o benefício, conforme as regras aplicáveis.
Alden sustentou que declarações da coordenadora econômica de Flávio teriam sido distorcidas pela imprensa e que as críticas ao tema extrapolariam o conteúdo efetivamente apresentado pela equipe do senador.
“Qualquer coisa além disso, é pirotecnia, estão apenas falando aquilo que ele não disse”, concluiu.
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