Política
Publicado em 28/05/2025, às 08h47 Rebeca Santos
O ex-presidente Jair Bolsonaro corre o risco de ser preso e ter seus bens bloqueados devido ao suposto financiamento da estadia de seu filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos.
O deputado licenciado é investigado por conspirar com autoridades norte -americanas contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-presidente já admitiu publicamente que custeia as despesas do filho no exterior.
A conexão direta entre os gastos e as ações de Eduardo levou a Procuradoria-Geral da República (PGR) a pedir o depoimento de Bolsonaro à Polícia Federal (PF), além de sugerir medidas cautelares, como o bloqueio de bens.
O inquérito contra Eduardo foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes na última segunda-feira (26).
Em entrevistas, Bolsonaro afirmou que o filho está "sem salário" e que sua permanência nos EUA é bancada com os R$ 17,2 milhões arrecadados em doações via Pix em 2023.
Segundo ele, “se não fosse o Pix, eu não teria como bancar essa despesa, ele está fazendo o seu trabalho de interlocução com autoridades no exterior”.
Essa "interlocução", conforme a decisão de Moraes e o pedido da PGR, tem como objetivo pressionar o governo dos EUA a impor sanções contra autoridades brasileiras — como cancelamento de vistos, bloqueio de bens e restrições comerciais — em retaliação às investigações que atingem Bolsonaro e aliados.
Na prática, o ex-presidente estaria financiando uma operação internacional para obstruir a Justiça e ameaçar instituições brasileiras, o que pode configurar coautoria ou participação nos crimes atribuídos a Eduardo.
No documento enviado ao STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ressalta que Jair Bolsonaro admitiu custear a estadia do filho e que é "diretamente beneficiado pela conduta descrita".
Além de pedir sua oitiva, Gonet deixa em aberto a possibilidade de novas medidas.
“Sem embargo de outras, até de índole cautelar, que o desenvolvimento dos acontecimentos possa recomendar.”
Segundo informações da Folha de São Paulo, nos bastidores do Supremo, a expressão é vista como um indicativo de que o bloqueio de bens do ex-presidente pode ser decretado caso se comprove que os recursos arrecadados via Pix estão sendo usados para financiar ações golpistas.
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