Política
O ex-presidente do partido Novo, João Amoêdo, anunciou nesta sexta-feira (23) apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Apesar de fazer críticas à atual gestão petista, o empresário afirmou que considera uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) mais preocupante para o país.
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Ao justificar a escolha, Amoêdo declarou que a disputa entre os dois grupos políticos provoca “frustração e preocupação”. Para o empreendedor, a ausência de uma alternativa competitiva fora do petismo e do bolsonarismo prejudica o debate democrático: “Vamos, mais uma vez, para um pleito a ser definido pela rejeição e não pela escolha”, escreveu.
Fundador do Novo, o empresário também criticou aspectos do governo Lula, incluindo a condução das contas públicas, a polarização política e as indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação dele, a campanha eleitoral deixou de priorizar propostas e planos para o futuro do Brasil.
Apesar das ressalvas ao atual presidente, Amoêdo afirmou que não considera Flávio Bolsonaro preparado para comandar o país. Ao explicar a decisão, questionou a “postura, credibilidade e competência” do senador e mencionou acusações e episódios envolvendo o candidato. O ex-presidente do Novo também sustentou que uma das motivações do parlamentar seria conceder indulto ao pai, Jair Bolsonaro.
Na análise do empresário, a vitória de Lula permitiria uma renovação política em 2030, considerando que o petista estaria em seu último mandato presidencial. Amoêdo também argumentou que o atual presidente enfrentaria uma oposição no Senado, o que poderia limitar sua atuação política.
Em contrapartida, o ex-dirigente do Novo avalia que uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro poderia contar com apoio tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, além de aliados à frente de governos estaduais importantes.
O cenário, segundo sua interpretação, ampliaria a influência política do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Mesmo após declarar voto em Lula, Amoêdo afirmou que pretende manter uma postura crítica independentemente do resultado das urnas.
Serei oposição a qualquer um dos dois que vier a ser eleito, mas, entre a irritação com um novo governo Lula e o risco que representa um governo Bolsonaro, fico com a primeira opção”, declarou.
No domingo iremos, pela terceira vez consecutiva, decidir entre o petismo e o bolsonarismo. A minha sensação como cidadão é de frustração e preocupação. Frustração pela nossa apatia em relação à política, em especial da nossa elite. Fomos incapazes de construir, nos últimos anos, uma alternativa decente e competitiva que nos tirasse dessa armadilha das últimas 3 eleições presidenciais. Vamos, mais uma vez, para um pleito a ser definido pela rejeição e não pela escolha. A discussão de propostas, de um plano para o País e o debate de ideias foram substituídos pelos ataques baixos e pessoais ao oponente. Fica evidente a incapacidade de ambos os lados de construírem uma nação próspera. O PT inaugurou o nós contra eles, dividindo os brasileiros, e o bolsonarismo, que nasceu já dentro dessa lógica, levou-a a um outro patamar. A urna, que deveria ser o momento para definirmos o futuro da nação, tornou-se, para muitos, um momento de expressão de raiva. Lula errou do início ao fim do seu mandato. Não promoveu o diálogo com quem pensa diferente, indicou amigos para o STF, insistiu na polarização, cercou-se de um núcleo duro despreparado, foi irresponsável com as contas públicas e adotou medidas eleitoreiras de mais gasto público. E, depois de todas essas ações, com baixa aprovação e com as limitações da idade, cometeu o maior erro: resolveu ser candidato pela 4ª vez. Flávio, por sua vez, não tem absolutamente nada que o credencie a governar o País. Falta postura, credibilidade e competência. Foi um senador sem qualquer iniciativa produtiva na área econômica, na segurança ou na educação. É conhecido apenas pelo sobrenome e pelo envolvimento em inúmeros casos suspeitos: rachadinha, lavagem de dinheiro, proximidade com membros da milícia e com golpistas. Está cercado de conhecidos oportunistas e seu objetivo maior é conceder o indulto ao pai, condenado por tentativa de golpe. O quadro político definido após o primeiro turno torna o meu sentimento de preocupação ainda maior do que o de frustração. Lula, se eleito, fará seu último mandato, sem nenhum sucessor definido, tem um vice-presidente com comprovada experiência na gestão pública e, apesar de ter a oportunidade de indicar membros do STF, encontrará forte oposição no Senado. Flávio, diferentemente, poderá se candidatar à reeleição, tem um vice-presidente desconhecido, terá uma Câmara e um Senado extremamente favoráveis e aliados comandando os principais estados brasileiros. São alternativas totalmente distintas para quem anseia por renovação em 2030 e teme a perpetuação de uma família no poder. Em 2018 e 2022, declarei o meu voto no segundo turno. Não foram decisões fáceis e sem ônus pessoais, pelo contrário. Nesse ano será ainda mais difícil. Entretanto, não expressar o que penso seria aceitar a ideia de que vivemos em um país onde as pessoas não são livres para emitirem a sua opinião pelo receio de serem agredidas. Não é essa nação que desejo. Serei oposição a qualquer um dos dois que vier a ser eleito, mas, entre a irritação com um novo governo Lula e o risco que representa um governo Bolsonaro, fico com a primeira opção.
— João Amoêdo (@joaodamoedo) October 23, 2026
A manifestação marca a segunda vez que Amoêdo declara apoio a Lula em um segundo turno contra um candidato do bolsonarismo. Em 2022, o empresário também anunciou voto no petista, quando Jair Bolsonaro disputava a reeleição.
Na ocasião, Amoêdo afirmou que seria “ingênuo” acreditar que Bolsonaro não representava uma ameaça à democracia em um eventual segundo mandato. A posição provocou consequências dentro do Novo. Após o anúncio, o partido suspendeu a filiação do empresário, embora tivesse liberado seus integrantes para votar conforme a própria consciência e os princípios da legenda.
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