Política
O anúncio do apoio da vereadora Eremita Mota (PP), ex-presidente da Câmara Municipal de Feira de Santana, à pré-candidatura de Léo de Neco (Avante) à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) vai além de um simples gesto eleitoral. Nos bastidores da política baiana, o movimento é interpretado como um símbolo da aproximação entre dois grupos que, nos últimos anos, protagonizaram uma intensa disputa pelo comando do Progressistas e pela ocupação de espaços políticos no estado.
Eremita chegou ao PP a convite do então presidente estadual da legenda, o deputado federal Mário Negromonte Júnior, hoje filiado ao PSB. À época, o Progressistas vivia um período de reorganização interna após as eleições de 2022. O apoio do partido à candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao Governo da Bahia provocou insatisfações entre parte das lideranças, que migraram para o Avante, legenda que passou a ser comandada pelo ex-deputado federal Ronaldo Carletto. A disputa entre os dois partidos se intensificou na sequência, com embates públicos e uma disputa por prefeitos e lideranças municipais.
Nesse contexto, o apoio de Eremita a Léo de Neco ganha significado político. Embora permaneça filiada ao PP, a vereadora passa a apoiar um nome do Avante, partido que foi fortalecido, em parte, da dissidência progressista e que hoje integra a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Para interlocutores políticos, o gesto evidencia que as divergências entre os dois grupos perderam força diante da consolidação do campo governista na Bahia.
Outro ponto que reforça essa leitura é que tanto Eremita quanto Léo de Neco foram alvo de investidas de integrantes da base de ACM Neto em movimentos de recomposição política visando as eleições de 2026. Apesar das conversas, ambos optaram por permanecer alinhados ao grupo do governador Jerônimo Rodrigues, frustrando as tentativas de ampliação do arco de alianças da oposição.
Ex-prefeito de Gandu, Léo de Neco tem intensificado a construção de sua candidatura a deputado estadual, buscando ampliar sua influência para além do Baixo Sul, seu principal reduto eleitoral. O apoio recebido em Feira de Santana, segundo maior colégio eleitoral da Bahia, fortalece essa estratégia e, ao mesmo tempo, reforça o ambiente de convergência entre lideranças do PP e do Avante que, há poucos anos, estavam em lados opostos da disputa interna pela reorganização do espaço político deixado pelo racha no Progressistas.
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