Política
por Anderson Ramos
Publicado em 24/05/2026, às 14h27
A onda chinesa de investimentos no Brasil não se restringe a chegada de novas empresas do país asiático. Nos últimos três anos houve um crescimento contínuo no total de vistos laborais para cidadãos da China.
Segundo dados do Ministério da Justiça compilados pela Folha de S. Paulo, a média é de mais de mil registros por mês desde junho de 2025. As autorizações para chineses representaram 38% do total de vistos de trabalho concedidos a estrangeiros no primeiro trimestre deste ano no Brasil. Foram 3.193 autorizações para cidadãos do país, em um universo de 8.232 registros no período.
Nos três primeiros meses deste ano, a maior parte dos expatriados (55%) desembarcou na Bahia, onde há uma fábrica da BYD, em Camaçari. A montadora é responsável por cerca de um terço dos registros. No total, do início do ano passado até o início deste mês, 2.700 funcionários chineses da companhia conseguiram visto de trabalho.
A empresa está no topo da lista das cinco companhias que mais importaram trabalhadores chineses desde 2025. Constam também a Falcão Engenharia (260 trabalhadores autorizados no período), a fabricante de máquinas de construção XCMG Brasil (214), a Engenova Construções (197) e a montadora GWM (139).
Tanto a Falcão como a Engenova são prestadoras de serviços para a BYD nas obras do complexo industrial em Camaçari.
O vice-presidente da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, estima que até o final do ano, a BYD terá 10 mil funcionários no Brasil. Segundo ele, serão, no máximo, 3% de chineses.
Xenofobia
Além dos trabalhadores da fábrica e de terceirizadas, foram contratados operários chineses para as obras de um residencial com 600 apartamentos a 3,5 km da fábrica. Ele deve abrigar trabalhadores da China e de outras cidades brasileiras.
A presença de estrangeiros em Camaçari virou assunto em conteúdos nas redes sociais, muitas vezes em postagens que compartilham informações falsas. Nelas, o residencial construído pela BYD é chamado de "cidade chinesa", com um número de operários estrangeiros inflado.
"É xenofobia. Quando a Ford veio para a Bahia, tinham americanos, canadenses, mexicanos, gente do Sudeste, e as pessoas não falavam isso", afirma Júlio Bonfim, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade baiana.
Na unidade da BYD, afirma o sindicalista, a maioria dos chineses está em postos administrativos e são poucos os que trabalham no chão de fábrica: "Se tivesse 50 chineses na linha de produção, os peões estavam reclamando."
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