Política

Bahia e Minas Gerais prometem pressionar governo Lula para evitar suspensão de trecho de ferrovia que liga os estados

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Governos da Bahia e Minas Gerais estão unindo esforços para pressionar o governo Lula sobre a descontinuidade de um trecho da FCA  |   Bnews - Divulgação Adobe Stock
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 19/10/2024, às 05h30



Os governos da Bahia e de Minas Gerais estão unindo esforços a fim de pressionar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a descontinuidade do trecho Minas-Bahia da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) proposto pela VLI Logística Ferroviária — atual concessionária — para renovar antecipadamente a concessão da malha ferroviária que acaba em agosto de 2026.

A proposta não foi vista com bons olhos pelos governistas baianos e mineiros que se reuniram para tratar a questão na quinta-feira (17), às vésperas da audiência pública realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Salvador, na sexta (18), que abordou a renovação da concessão da FCA.

O BNews apurou que a secretária de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Sedur-BA), Jusmari Oliveira (PSD) e o secretário de Planejamento da Bahia (Seplan-BA), Cláudio Peixoto, se reuniram por videoconferência com o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade de Minas Gerais, Pedro Bruno, para abordar o tema.

Na oportunidade, tanto o Governo da Bahia, quanto o governo mineiro, destacaram insatisfação com a proposta de descontinuidade do corredor Minas-Bahia — considerado estratégico para ambos os estados —, se opuseram à renovação da concessão para a VLI e alinharam estratégias para pressionar a ANTT a não aceitar a proposta.

Ao todo, a FCA possui 7,8 mil km de ferrovia sob concessão da VLI. A empresa pretende devolver 2,1 mil km, dos quais 291 km (14%) são em território baiano, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). São eles: Alagoinhas, no Nordeste baiano, até Propriá, em Sergipe; além de Senhor do Bonfim, no Centro-norte da Bahia, até Petrolina, em Pernambuco. Confira:

FCA
Apresentação da ANTT sobre a renovação da concessão da FCA

Já o corredor Minas-Bahia, também está na berlinda. Ele nasce em Corinto, na região central de Minas Gerais; chega ao Porto de Aratu, em Candeias, Região Metropolitana de Salvador (RMS); e depois segue para Campo Formoso, no Centro-norte da Bahia.

A principal crítica dos governos da Bahia e Minas, para além da qualidade da malha ferroviária, é que o argumento usado pela empresa para defender a interrupção da operação, que cita uma previsão de queda de volumes no trecho Minas-Bahia em um novo ciclo de 30 anos, é “falacioso e inconsistente”.

A VLI argumenta que que o trecho Corinto x Campo Formoso (Minas-Bahia) não apresenta aumento de volume que justifique a manutenção neste modelo pelos próximos 30 anos, com estimativa de queda de 9% no mesmo período em que a FCA , como um todo, teria alta de 46%. Confira:

FCA
Apresentação da ANTT sobre a renovação da concessão da FCA

A expectativa de mineiros e baianos é que a pressão exercida junto ao Governo Federal surta efeito e barre a descontinuidade do corredor Minas-Bahia, que ainda está sob análise da ANTT — que é quem vai bater o martelo sobre a questão.

No entanto, dentro da cúpula governista há um sentimento de que a agência federal está pendendo a balança para o lado da VLI, uma vez que seria mais “confortável” manter a concessão da FCA por mais 30 anos — até 2056 — com a empresa que gere o equipamento desde 1996.

O BNews questionou a VLI sobre a descontinuidade do corredor Minas-Bahia. A empresa destacou estão sendo apresentadas opções de continuidade da operação no trecho e assegurou que enquanto esses temas não forem definidos, não haverá interrupção do serviço de transporte de carga.

“Há, ainda, quatro opções: manter a operação no formato atual, com a VLI; manter a operação com a VLI, mas em um formato diferente; licitação do trecho para um outro operador; chamamento público para um novo operador, dentro de um novo modelo, como o das autorizações”, afirmou a VLI por meio de nota.

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