Política

Bandidos invadem casa de Milton Leite, ignoram R$ 19 mil em dinheiro e só levam gravações das câmeras de segurança

Afonso Braga/Câmara Municipal de SP
Imóvel não tinha registro oficial e foi confirmado como propriedade de empresa ligada a Milton Leite  |   Bnews - Divulgação Afonso Braga/Câmara Municipal de SP
Antonio Dilson Neto

por Antonio Dilson Neto

Publicado em 22/09/2026, às 15h09



Criminosos invadiram, na noite de domingo (20), um imóvel ligado ao ex-vereador de São Paulo Milton Leite, em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista, e deixaram para trás R$ 19.261 em dinheiro. O principal alvo levado pelos invasores foi o equipamento que armazenava as imagens das câmeras de segurança do local.

Uma vizinha percebeu a movimentação e acionou a Polícia Militar. Quando os agentes chegaram, os suspeitos já haviam fugido.

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O imóvel estava sem energia elétrica e, por isso, o sistema de monitoramento não funcionava no momento da invasão. A casa estava revirada, mas os criminosos não levaram o dinheiro que estava sobre um sofá. Também ficaram no local talões de cheque, cartões bancários e documentos em nome de Milton Leite.

O que desapareceu foi o DVR, equipamento responsável por armazenar as gravações das câmeras de segurança. A Polícia Civil agora tenta descobrir quem entrou no imóvel e por que o equipamento foi levado.

A suspeita é de que a ação possa ter relação com a investigação que envolve Milton Leite. O ex-vereador está preso temporariamente desde sexta-feira (18), quando se entregou à polícia no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo de São Paulo.

O roubo

Segundo a polícia, o imóvel de Santo Amaro não tinha registro na Prefeitura nem matrícula em cartório. Por isso, o endereço não apareceu entre os locais que foram alvo dos mandados da operação realizada na semana passada.

A ligação do imóvel com Milton Leite só foi confirmada depois que um advogado foi à delegacia e informou que a propriedade pertence a uma empresa da qual o ex-vereador é sócio.

Os investigadores trabalham agora para identificar os responsáveis pela invasão e entender se o furto do equipamento foi uma ação isolada ou se teve como objetivo retirar do local algum material que pudesse interessar à investigação.

Milton Leite está preso

Milton Leite foi preso no âmbito da investigação sobre a suposta infiltração do PCC no sistema de transporte público de São Paulo. A Polícia Civil aponta o ex-vereador como o verdadeiro dono da Transwolff, empresa investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para a facção. Leite nega envolvimento com o crime organizado.

Nesta segunda-feira (21), a defesa apresentou um pedido de habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar derrubar a prisão. Os advogados afirmam que a decisão se baseou principalmente em citações feitas por terceiros e sustentam que não há elementos suficientes para justificar a detenção.

A defesa também informou que aguarda acesso integral aos autos para apresentar os argumentos em favor de Milton Leite.

Milton deixou a vida pública no ano passado, após sete mandatos como vereador e quatro períodos à frente da Câmara Municipal de São Paulo. Atualmente, preside o União Brasil na cidade.

Em julho, foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista (UP), formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP).

O pedido que embasou a operação também cita Milton como responsável direto pela operação de algumas empresas que, segundo a investigação, seriam controladas pela facção. O documento menciona ainda declarações de policiais militares prestadas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais Milton seria o dono de fato da Transwolff.

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