Política

Brasileiro faz autodeportação e deixa seis filhos e esposa nos EUA; saiba o motivo

The Boston Globe/ UOL
O brasileiro ele era uma figura respeitada na comunidade brasileira nos EUA  |   Bnews - Divulgação The Boston Globe/ UOL

Publicado em 06/07/2025, às 12h29   Rebeca Santos



Um dos últimos momentos do mineiro Frilei Brás ao lado da esposa e dos seis filhos foi reunir a família na sala para uma oração. Pouco depois, ele partiu para o aeroporto de Boston, nos EUA, iniciando uma viagem que nunca imaginara fazer: estava se autodeportando.

O governo americano afirma que um milhão de estrangeiros já deixou o país "de livre e espontânea vontade". 

Segundo informações do Uol, esses números não foram verificados por nenhuma organização independente nem detalhados pela Casa Branca. 

A estatística integra uma estratégia do governo de Donald Trump para pressionar imigrantes sem documentos a optarem pela saída.

Brás vivia nos EUA desde 2005 em situação irregular, mas mantinha uma empresa ativa, pagava impostos, dirigia uma escolinha de futebol e tinha o programa de rádio mais ouvido da região. 

Pai de cinco filhos, ele também acolheu uma enteada como filha.

Carismático e respeitado, ele era uma figura respeitada na comunidade brasileira. Em 2018, foi detido por autoridades migratórias, mas respondeu ao processo em liberdade, sem ser considerado prioritário para deportação — não tinha passagem criminal, contribuía socialmente e era pai de seis crianças americanas.

A situação mudou com a política imigratória de Trump. No dia 14 de maio, ao comparecer ao posto migratório, como fazia anualmente na esperança de regularizar sua situação, Brás testemunhou uma cena triste: a mulher que o antecedeu desabou em prantos. "Ela vai ficar bem", garantiu um agente.

Ao entrar na sala, o brasileiro foi surpreendido com uma tornozeleira eletrônica e a ordem de retornar em uma semana.

"Cumpri a ordem e uma semana depois eu estava lá", contou ao UOL, já no Brasil. "Mas, quando entrei na sala, um agente me disse que a ordem que eles tinham recebido era para me levar preso", relembra.

Sobre a mesa havia uma corrente e algemas. Quatro agentes na deixavam claro que o objetivo era colocar medo.

Depois de uma conversa, um deles disse que o brasileiro deveria se considerar "sortudo por não ser levado imediatamente".

As explicações, porém, iam mudando conforme a conversa se desenrolava.

 "Primeiro me disseram que era teria dois meses para deixar os EUA. Cinco minutos depois, me falaram que eu teria apenas 15 dias", afirmou.

Brás sabia que não poderia retirar a tornozeleira. 

"Seria um crime federal", admitiu. "Eu tenho seis filhos americanos com um futuro pela frente. Seria muito mais grave", disse. "Fui obrigado a acatar e comprei uma passagem para voltar ao Brasil", contou.

"Eu não decidi sair. Eu fui obrigado. Não tinha escolha", explicou. Segundo ele, nas conversas com os agentes, alguns deles pareciam entender que a política adotada contra os estrangeiros era "injusta". "Alguns não estavam de acordo com o que estava ocorrendo. Eles me confidenciaram que escolheram deportar os mais vulneráveis. E eu era um deles", disse.

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