Política

Candidato Douglas Pithon debate segurança pública da Bahia: “Extremamente vulnerável”

Foto: Reprodução / Se Liga Bocão
Douglas Pithon discute a precariedade da segurança pública e do sistema carcerário durante entrevista ao programa Se Liga Bocão  |   Bnews - Divulgação Foto: Reprodução / Se Liga Bocão
Natane Ramos

por Natane Ramos

Publicado em 15/09/2026, às 19h49



Nesta terça-feira (15), o candidato a deputado estadual Douglas Pithon (Republicanos), refletiu sobre a segurança pública da Bahia durante sua participação no Se Liga Bocão, programa apresentado por Zé Eduardo.

Durante a entrevista, Douglas Pithon analisou a diferença da segurança de outros estados ao comparar com o cenário baiano. "Talvez a gente precise lançar esforços aqui para trazer para a discussão o Tribunal da Bahia e o Ministério Público da Bahia. A gente tem um estado de dimensão continental, são 15 milhões de habitantes, e uma massa carcerária menor que o Estado do Espírito Santo, por exemplo", declarou

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"Então, algo de errado não está certo. A gente tem uma estrutura que não mantém o cara encarcerado, que talvez você tenha lançado esforços para desencarcerar, pois não tem um ambiente que consiga manter o cara preso", alertou.

Mata Escura: Só não foge quem não quer?

Pithon também refletiu sobre o histórico de fugas no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.  "Eu vou parafrasear um policial penal que é um camarada que é uma referência, ele diz o seguinte: 'aquilo ali, irmão, é um elefante amarrado a uma cadeira'", refletiu.

O investigador da Polícia Civil do Estado da Bahia destacou o problema na gestão das delegacias, que impulsiona as fugas em massa

Problemas no sistema carcerário

Ainda durante a entrevista ao Se Liga Bocão, Douglas Pithon analisou a vulnerabilidade dos polícias que trabalham no sistema carcerário, apontando o conjunto penal de Feira de Santana como um exemplo. "Eu estive no conjunto penal de feira de Santana, que é a maior estrutura penal da Bahia, são cerca de 1800 presos por dia. Você tem uma estrutura física que não impede, por exemplo, que nenhum objeto seja lançado por drone para o interior do presídio. Você não tem comunicação entre a polícia dentro do presídio. Você não tem um fuzil, nenhuma viatura blindada para proteger os policiais que estão dentro do presídio para não para impedir, por exemplo, um resgate de preso, uma fuga de preso", revelou.

“É extremamente vulnerável. Existem policiais penais, por exemplo, em Feira de Santana, hoje, que eles tiram o serviço, eles cautelam a pistola, porque eles não têm arma, porque a o Estado não oferece, a SEAP não oferece arma para esses caras, não oferece colete, eles cautelam, tiram o serviço e depois eles devolvem. Então, eles estão extremamente vulneráveis, porque o contato deles é direto com o crime organizado”, lamentou. 

Facções dentro das cadeias

O candidato a deputado revelou que grande parte das facções se formam dentro das cadeias. “Os principais criminosos estão presos em Feira de Santana. Existe histórico de rebelião com mortes em massa no presídio, e a estrutura, ela é extremamente vulnerável. Não existe nenhum tipo de esforço para valorizar, de fato, aqueles homens que trabalham nesse ambiente”, iniciou. 

Douglas Pithon reforça a precariedade das prisões. “E eu tô falando dos policiais penais, mas a gente pode ir para qualquer outro ambiente prisional do Estado da Bahia, inclusive aquela que tem cogestão, que tem um monitor de ressocialização, do agente, né, educacional, e os relatos são assustadores, pô. O cara dorme deitado num papelão no chão. Vagabundo tem um bocado numa cela. A gente tá vivendo superlotação, né, os presídios, eles estão superlotados. Mas o pior é você entender que a Secretaria ela define que você teria que ter um policial para cada cinco apenados, cinco custodiados. Feira de Santana chega ao número de um para 216. O Estado da Bahia já chegou de um para 400”, relatou.

“Então, a gente precisa revisitar a Secretaria de Administração Penitenciária, entender de que maneira a gente precisa lançar um esforço, porque esse sistema, ele é extremamente relevante para a gente resolver o problema de segurança pública do Estado da Bahia”, contou.

Com uma estrutura instável, Pithon aponta a dificuldade de ressocialização dos detentos. "A gente já percebeu o quê? As organizações criminosas, elas nasceram onde? No presídio. Elas se fortalecem onde? Os criminosos, eles têm um ambiente fértil para entender como o crime acontece, onde? É uma grande universidade do crime", concluiu.

Classificação Indicativa: Livre

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