Política

Careca do INSS usou empresa de idosa falecida e "lavanderia" do Corinthians para movimentar mais de R$ 300 milhões

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Assim como na farra do INSS, a Wave serviu como uma “conta de passagem” no desvio do patrocínio do Corinthians  |   Bnews - Divulgação UOL NEWS ESPORTE / Divulgação/Corinthians
Rebeca Santos

por Rebeca Santos

Publicado em 18/03/2026, às 07h04



O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, mandou milhões de reais para uma empresa que está no meio do escândalo de desvio do patrocínio da Vai de Bet para o Corinthians. Ele também enviou dinheiro para uma firma que estava registrada no nome de uma mulher de 90 anos que já faleceu.

Nos dois casos, o objetivo era fazer o dinheiro passar por vários CNPJs diferentes, espalhando os valores entre empresas de fachada. Esse tipo de moviementação serve para complicar o rastreamento do dinheiro, segundo a CPMI do INSS no Congresso.

Os pagamentos para essas duas firmas saíram de uma das empresas do Careca, chamada Arpar Participação e Empreendimentos. De setembro de 2023 a janeiro de 2025, a Arpar movimentou R$ 445,2 milhões, segundo técnicos da CPMI.

Uma das empresas que recebeu da Arpar foi a Wave Intermediação. Ela ganhou R$ 1,05 milhão do CNPJ do Careca. A firma está registrada no nome de um motoboy e fica dentro de uma quitinete no bairro da Lapa, em São Paulo (SP).

Mesmo assim, as contas bancárias da Wave Intermediação movimentaram R$ 4,85 bilhões entre 2023 e 2025, segundo dados da quebra de sigilo fiscal da empresa, repassados pela Receita Federal à CPMI.

Em julho do ano passado, o MPSP citou a empresa na denúncia contra o ex-presidente do Corinthians, Augusto Melo. Ele é acusado de desviar dinheiro do contrato de patrocínio com a Vai de Bet. Hoje, Melo é réu por furto qualificado, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Assim como na farra do INSS, a Wave serviu como uma “conta de passagem” no desvio do patrocínio do Corinthians.

Firma no nome de idosa de 90 anos movimentou R$ 300 milhões

Outra empresa usada pelo Careca do INSS pertencia, pelo menos no papel, a uma senhora de 90 anos. O nome dela é Premier Indústria e Comércio LTDA.

Pela Arpar, o Careca do INSS mandou pelo menos R$ 6,9 milhões para a Premier. No total, de 2023 a 2025, as contas bancárias dessa empresa movimentaram R$ 297,1 milhões.

No papel, a dona era Diva Ribeiro Calil. Ela morreu em setembro do ano passado, aos 90 anos. Mesmo depois disso, a Premier continuou movimentando dinheiro: R$ 65,7 milhões em suas contas bancárias em 2025, inclusive após a morte da suposta proprietária.

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