Política
A crise na Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) pode ter novas baixas nos próximos dias. Isso porque, segundo informações de bastidores obtidas pelo BNews, o atual secretário da pasta, José Castro, está prestes a ser substituído pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT).
O gestor da SEAP foi indicado pelo partido, o MDB. Mas após a crise, ele perdeu força e o governo tem pressionado para que um novo nome seja indicado, para assim firmar a substituição de Castro pelo posto.
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O descontentamento do governo estadual com a gestão de Castro ocorre após repetidas tentativas de fuga em presídios da Bahia, devido a falhas na SEAP. Na sexta-feira (24), quatro detentos tentaram fugir da Penitenciária Lemos Brito, no Complexo Penitenciário da Mata Escura, após abrirem um buraco na estrutura de uma cela. Os quatro foram imobilizados logo após a tentativa de fuga.
Investigações do Ministério Público ainda apontam que, além das falhas da SEAP, existia um cenário de privilégios e regalias de criminosos dentro do sistema prisional, onde alguns alguns detentos tinham até a chaves das próprias celas. Os fatos foram revelados pela Operação Duas Rosas, que investiga a relação entre membros de facções e agentes públicos e penitenciários.
José Carlos Souto de Castro Filho é o atual gestor da SEAP, tendo sido indicado pelo seu partido, o MDB, para assumir a pasta de administração prisional em 2024. Ele substituiu José Antônio Maia que foi exonerado do cargo.
O secretário atuava anteriormente como diretor-geral da SEAP, tendo ainda passagens pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), quando a pasta de Salvador era comandada por Marise Chastinet (MDB). Ele havia deixado a gestão municipal em abril de 2022, dias antes de ser nomeado diretor da pasta estadual na gestão Jerônimo Rodrigues.
O MDB tinha nomes em cargos importantes dentro da SEAP, mas o partido perdeu a influência após o início das investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA). O baque para a sigla ficou especialmente mais forte após o ex-deputado federal Uldurico Júnior (MDB) ser preso por participar do esquema que contribuiu para a fuga de detentos.
Além do ex-deputado federal, o ex-ministro e cacique do MDB, Geddel Vieira Lima, também foi citado na delaçãoo que o deixou irritado. Em declaração ao BNews, o político afirmou receber a associação de seu nome com "indignação" e negou as acusações. Ele ainda atacou Uldurico e afirmou ter tomado conhecimento das atividade do ex-parlamentar somente com sua prisão.
"Infelizmente, a gente convive com todo tipo de gente e só descobre o caráter, a vagabundagem das pessoas, depois que estoura um negócio desse. Como é que eu podia saber se nem a polícia sabia? Ele estava transitando livremente pela rua. Ninguém pode imaginar que convive com um criminoso", disse ele.
Na sexta-feira (24), a gestão estadual já havia promovido uma série de alterações na secretaria, com quatro exonerações e quatro nomeações em setores que vão desde a assessoria central até direções em unidades prisionais e cargos de superintendência. As mudanças foram publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE).
Entre as mudanças promovidas está a exoneração de Sergio Vinicius Tanure dos Santos, que estava na diretoria adjunta do Conjunto Penal de Eunápolis e foi substituído por Ernani Pereira Silva.
A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, revelou, em delação premiada ao MP-BA, um esquema de corrupção dentro da pasta que envolvia políticos e membros de grupos criminosos. Entre os nomes citados estava o de Uldurico Júnior, que teria contribuído para a fuga de 16 detentos do complexo penitenciário, caso ocorrido em 2024.
Segundo a ex-dirigente, o ex-deputado federal apresentava um alto nível de influência dentro do sistema prisional, frequentando a unidade para ter reuniões com detentos que eram lideranças de facções.
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