Política
Publicado em 25/03/2025, às 15h20 Bruna Rocha
O jornalista Jeffrey Goldberg, editor-chefe da revista The Atlantic, foi incluído em um grupo de mensagens do aplicativo Signa -similar ao WhatsApp- com autoridades do governo Donald Trump e observou a discussão de rebeldes Houthis, do Lêmen. As trocas detalhavam os planos militares dos Estados Unidos, e o grupo era composto pelo vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio e o secretário de Defesa, Pete Hegseth.
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O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Brian Hughes, confirmou a existência do grupo e a veracidade das mensagens. “Essa parece ser uma rede de mensagens autênticas, e estamos analisando como um número inadvertido foi adicionado”, escreveu ao The Atlantic.
"A rede é uma demonstração de cooperação política profunda e cuidadosa entre os altos funcionários. O sucesso contínuo da operação Houthi demonstra que não houve ameaças às tropas ou à segurança nacional", adicionou.
Já o presidente Donald Trump, negou a existência do grupo a imprensa. “Não sou muito fã da The Atlantic. Para mim, é uma revista que está saindo do mercado. Acho que não é uma revista grande. Mas não sei nada sobre isso”.
Segundo o The Atlantic, o jornalista recebeu um pedido de conexão direta com uma pessoa identificada como Michael Waltz, mesmo nome do Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
Após aceitar o pedido, ele foi incluído em um grupo intitulado “pequeno grupo Houthi PC” em aparente referência ao comitê de diretores (reuniões com membros do gabinete e funcionários do alto escalonamento da segurança nacional). O chat, havia sido criado para a "coordenação sobre os Houthis". Os participantes do grupo contava com a presença de nomes como o vice-presidente JD Vance; o secretário de Estado, Marco Rubio; da Defesa, Pete Hegseth; a diretora da Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard; o diretor da CIA, John Ratcliffe, entre outros.
Antes do ataque no Lêmen o usuário JD Vance destacou que o governo estaria "cometendo um erro". E, argumentou que a via atingida pelos ataques dos rebeldes era mais importante para a Europa, do que para os Estados Unidos.
“Há um risco real de que o público não compreenda isso ou por que é necessário”, escreveu. “Não tenho certeza se o presidente está ciente de quão inconsistente isso é com sua mensagem sobre a Europa”.
Apesar de entender a preocupação do companheiro de grupo, a conta identificada como Pete Hegseth, informou que "ninguém sabe quem são os houthis" e seria mais fácil focar nas falhas de Biden.
A mensagem alertava ainda para os riscos de adiar o ataque, como Vance sugeriu. “Há 2 riscos imediatos na esperança: 1) isso vaza e parecemos indecisos; 2) Israel toma uma atitude primeiro - ou o cessar-fogo em Gaza fracassa - e não conseguiu iniciar o processo em nossos próprios termos”.
“Estamos preparados para executar e, se eu tivesse um voto final de “sim” ou “não”, acredito que deveríamos fazê-lo. Isso não tem a ver com os houthis. Eu vejo isso como duas coisas: 1) Restaurar a liberdade de navegação, um interesse nacional fundamental; e 2) Restabelecer a dissuasão, que Biden destruiu”, concluiu Hegseth.
A discussão chegou ao fim com um "SM", que se presume ser o assessor Stephen Miller, que entrou na conversa. “Pelo que ouvi, o presidente foi claro: sinal verde”, escreveu, sinalizando que os Estados Unidos depois poderiam cobrar a conta do Egito e da Europa, sem especificar o que pediriam como recompensa. “Se os EUA conseguirem restaurar a liberdade de navegação a um custo elevado, será necessário obter algum ganho econômico adicional em troca”.
Além das pontuações politicas, Jeffrey Goldberg, apresentou trocas de informações sensíveis sobre os planos militares dos EUA. Pete Hegseth compartilhou aspectos da operação, alvos, armas usadas e sequência de ataques.
O jornalista Jeffrey Goldberg, publicou na última segunda-feira (24), um artigo pontuando que havia ficado com receio do grupo ser falso, até que os bombardeios detalhados no chat foram fatos lançados pelos Estados Unidos.
“Eu tinha fortes dúvidas de que esse grupo fosse real, porque não podia acreditar que a liderança da segurança nacional dos Estados Unidos se comunicaria pelo sinal sobre planos de guerra iminentes”, escreveu Jeffrey Goldberg.
Ainda conforme a reportagem da revista The Atlantic, as autoridades de segurança nacional costumam usar o Signal, mas apenas para marcar reuniões e discutir questões logísticas. O aplicativo de mensagens criptografadas não é autorizado pelo governo americano para o compartilhamento de informações necessárias.
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