Política

DANÇA DAS CADEIRAS: Entenda os bastidores das trocas de ministros no governo Lula

Ricardo Stuckert/PR
Governo Lula já passou por diversas trocas ministeriais, com uma média de uma a cada 76 dias  |   Bnews - Divulgação Ricardo Stuckert/PR
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 27/09/2025, às 15h05



Nesta sexta-feira (26), o ministro do Turismo, Celso Sabino, anunciou sua saída do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão ocorre em meio a denúncias relacionadas a fraudes, ao envolvimento nos atos de 8 de janeiro e à pressão política interna.

A saída de Sabino está diretamente ligada à crise entre o União Brasil, partido ao qual pertence, e o governo. O movimento faz parte de uma debandada da legenda da base de apoio ao Planalto. Antes dele, outras mudanças ministeriais ocorreram por diferentes razões, como acusações de assédio, insatisfação com desempenho e conflitos internos.

Desde o início do terceiro mandato de Lula, em janeiro de 2023, a média tem sido de uma troca ministerial a cada 76 dias e aproximadamente dois meses e meio.

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Silvio Almeida

Silvio Almeida, que ocupava o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, foi demitido após ser acusado de assédio por Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial. Ele foi substituído por Macaé Evaristo.

O Palácio do Planalto afirmou em nota que a permanência de Silvio no cargo era "insustentável, considerando a natureza das acusações". O ex-ministro é investigado em um inquérito que apura possível prática de importunação ou assédio sexual contra várias mulheres, incluindo a própria ministra Anielle.

Flávio Dino

Flávio Dino deixou o Ministério da Justiça e Segurança Pública em janeiro de 2024 para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), por indicação de Lula. Ele foi substituído por Ricardo Lewandowski.

Ana Moser

A ex-jogadora de vôlei Ana Moser, que comandava o Ministério do Esporte, foi substituída por André Fufuca (PP) em setembro de 2023. A troca ocorreu por pressão do Centrão, que reivindicava o controle da pasta por sua ampla capilaridade política.

Márcio França

Márcio França (PSB) deixou o Ministério de Portos e Aeroportos, também em setembro de 2023, para dar lugar a Silvio Costa Filho (Republicanos), em mais uma movimentação negociada com o Centrão. No entanto, França não saiu do governo: foi realocado para o recém-criado Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.

Paulo Pimenta

Paulo Pimenta foi substituído na Secretaria de Comunicação Social da Presidência por Sidônio Palmeira, em uma tentativa estratégica do governo de dar uma guinada na comunicação institucional.

Na ocasião, Pimenta declarou concordar com a decisão do presidente Lula e reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo governo na divulgação de suas ações, que, segundo ele, representam "um desafio para a esquerda no Brasil e no mundo".

Nísia Trindade

A então ministra da Saúde, Nísia Trindade, deixou o cargo em fevereiro após enfrentar pressões políticas e insatisfação com os resultados de sua gestão. Ela foi substituída por Alexandre Padilha (PT). Nísia foi a primeira mulher a comandar o Ministério da Saúde e presidiu a Fiocruz durante a pandemia de Covid-19.

Alexandre Padilha

Antes de reassumir o Ministério da Saúde, Padilha era titular da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência. O cargo passou a ser ocupado por Gleisi Hoffmann (PT), que voltou a ser ministra 11 anos após chefiar a Casa Civil no governo Dilma Rousseff.

Carlos Lupi

O ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), pediu demissão em maio deste ano, nove dias após uma operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelar um esquema bilionário de fraudes envolvendo aposentadorias e pensões do INSS.

Cida Gonçalves

A ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, foi substituída em maio pela assistente social e professora Márcia Lopes. A troca foi motivada por insatisfação do Planalto com sua atuação e por processos na Comissão de Ética da Presidência, que já arquivou acusações de racismo e de negociação política

Classificação Indicativa: Livre

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