Política
por Leonardo Oliveira
Publicado em 08/10/2026, às 19h44
O relato da cabeleireira baiana Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do Batom”, voltou a repercutir nas redes sociais nesta semana, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, na última terça-feira (6), a progressão do regime de pena para o semiaberto. Apesar da mudança, Moraes manteve Débora em regime domiciliar, em razão de ela ter filhos menores de idade. A decisão permite que ela agora possa sair de casa durante o dia.
Conhecida nacionalmente após participar dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, Débora ficou marcada por escrever a frase “Perdeu, mané” em uma escultura localizada em frente ao STF. Ela foi condenada pela Primeira Turma do Supremo pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado, com placar de 4 a 1.
À época, em entrevista realizada à Revista Oeste, Débora descreveu os primeiros dias após a prisão, quando foi encaminhada para uma cela sem luz, onde passou frio e recebeu um kit de higiene sujo. “Eu lembro que o kit de higiene que me entregaram estava todo cheio de urina. Eu não conseguia me cobrir com ele à noite, porque estava todo molhado”, relatou.
Sem contato inicial com a família, ela disse que só conseguia pensar nos filhos. “Ali, eu só conseguia pensar nos meus filhos, no quanto eles estariam assustados. Foi um momento muito difícil, porque eu não tinha contato nenhum com a minha família”, conta.
Débora relatou ainda o desespero ao ser informada de uma possível transferência para Rio Claro, no interior de São Paulo, e como foi orientada a não revelar, de imediato, qual era o seu crime para as outras presas. “Fui orientada, naquele primeiro momento, a não falar qual era o meu crime”, afirmou.
A primeira visita dos filhos, segundo ela, ocorreu após cerca de 20 dias. “Foi muito difícil ver meus filhos naquele ambiente, mas eu estava doente de saudade deles. Quando eles entraram, eu me ajoelhei no pátio, agradecendo a Deus”, descreveu.
No encontro, as crianças fizeram perguntas marcantes: “‘Mamãe, por que você está aqui?’, ‘Mamãe, o que você fez? Você é criminosa?’”, relembra. Débora diz que tentava explicar, com palavras simples, que não era uma criminosa, mas que estava em uma manifestação política e que logo estaria solta para cuidar deles.
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Ao deixar a prisão e retornar para casa, Débora contou que foi recebida pelo marido e que os dois se abraçaram chorando no gramado. “Quando vi meus filhos, que minha irmã trouxe, foi um momento muito marcante para mim e para eles”, disse.
Com a autorização de Moraes para o regime semiaberto, o caso de Débora do Batom trouxe a perspectiva da acusada sobre quem sofreu as consequências após os atos de 8 de janeiro e sua prisão durante os mais de dois anos em que permaneceu privada de liberdade. Confira o relato:
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