Política
por Samuel de Jesus
Publicado em 28/10/2026, às 07h20
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último domingo (25), provocou uma onda de ataques nas redes sociais contra trabalhadores identificados como apoiadores do petista. Após o resultado das eleições de domingo (25), apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a publicar mensagens incentivando empresários a demitir funcionários por suas posições políticas.
🔴ÚLTIMA HORA: Campanha "Demita um Petista" criada por Bolsonaristas explode no país, centenas de internautas estão apagando posts onde festejavam a vitória de Lula com medo de demissão. https://t.co/aStz5tMI4K
— Primeiro Front (@PrimeiroFront) October 27, 2026
O Ministério Público do Trabalho (MPT) monitora a situação; segundo o UOL, em reportagem de Carlos Madeiro, a entidade já recebeu 530 denúncias de assédio eleitoral entre a meia-noite de segunda-feira (26) e as 17h45 de terça-feira (27).
De acordo com o procurador do Trabalho Igor Sousa Gonçalves, coordenador nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho, o volume de denúncias registradas após a eleição é inédito e preocupa pelo alcance que as redes sociais podem ter.
Na última eleição, em 2022, o MPT recebeu 3.373 denúncias de assédio eleitoral ao longo de todo o ano. Naquele período, a maior parte dos casos ocorreu entre o primeiro e o segundo turno, quando trabalhadores eram pressionados pelos empregadores a votar em um determinado candidato.
As denúncias se concentram, em sua maioria, em publicações nas redes sociais que incentivam demissões e perseguições após o resultado das urnas. O órgão contabilizou 991 denúncias no primeiro turno, outras 945 no intervalo e mais 530 no período após o segundo turno considerado pelo levantamento.
Segundo o colunista Carlos Madeiro, um dos casos citados é o da deputada estadual do Rio de Janeiro Índia Armelau (PL), que publicou uma mensagem incentivando empresários a verificar as redes sociais dos funcionários para identificar aqueles que apoiaram o PT.
No post, ela questionou a permanência de trabalhadores que, segundo ela, seriam contrários aos empresários por terem votado no petista.
A Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro atendeu a um pedido do MPT e proibiu a parlamentar de incentivar empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por suas convicções políticas. Após a repercussão negativa, a deputada publicou uma retratação.
Segundo o procurador Igor Sousa Gonçalves, mesmo pessoas que não são empregadoras podem ser alvo de medidas judiciais caso incentivem perseguição de trabalhadores por suas posições partidárias.
Empresários estariam demitindo funcionários que fizeram o “L”? Nas redes sociais, circulam relatos de pessoas que afirmam ter perdido o emprego por esse motivo. As denúncias ainda precisam ser verificadas. https://t.co/Mwc17BnZHA
— A TROMBETA (@ATROMBETA3) October 27, 2026
A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias para acesso ou manutenção do emprego. Em situações de demissão discriminatória, o trabalhador pode buscar a Justiça para solicitar reintegração ou indenização. Entre as possíveis consequências estão a obrigação de publicar retratação, o pagamento de multas e indenizações por dano moral coletivo.
O MPT recomenda guardar provas, como capturas de tela, mensagens, gravações e outros registros que ajudem a demonstrar a ocorrência. Trabalhadores que sofrerem ameaças, pressão ou discriminação por suas convicções políticas podem procurar a instituição.
As denúncias podem ser feitas pelo portal oficial do [Ministério Público do Trabalho](https://mpt.mp.br/). Também é possível solicitar sigilo dos dados do denunciante.
O MPT informou que ainda apura os casos relacionados ao assédio eleitoral em todo país.
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