Política

Deputados e vereadores enviaram R$ 8 milhões em emendas a entidades ligadas a filme sobre Bolsonaro

Carlos Moura/Agência Senado / Marcello Casal JrAgência Brasi
As informações vêm de denúncias feitas pelos deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e pastor Henrique Vieira  |   Bnews - Divulgação Carlos Moura/Agência Senado / Marcello Casal JrAgência Brasi
Rebeca Santos

por Rebeca Santos

Publicado em 18/05/2026, às 06h56



Deputados e vereadores de São Paulo enviaram pelo menos R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora Go Up Entertainment, empresa responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As informações vêm de denúncias feitas pelos deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e pastor Henrique Vieira (PSol-RJ), além de dados públicos de transparência do governo federal e da Prefeitura de São Paulo.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou abrir uma apuração para investigar possíveis irregularidades na distribuição dessas emendas. O foco são projetos ligados a entidades comandadas por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora do filme.

Além da Go Up Entertainment, estão na mira o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Academia Nacional de Cultura (ANC) e a Conhecer Brasil Assessoria.

A investigação busca detalhes sobre recursos enviados por parlamentares do PL, como os ex-deputados federais Alexandre Ramagem (RJ) e Carla Zambelli (SP), e os deputados federais Marcos Pollon (MS), Bia Kicis (DF) e Mario Frias (SP).

Frias é produtor executivo e roteirista do filme Dark Horse. Segundo a denúncia de Tabata, ele enviou R$ 2 milhões em emendas para o Instituto Conhecer Brasil: R$ 1 milhão para um projeto de “letramento digital” e outro R$ 1 milhão para um projeto esportivo.

Desde o mês passado, oficiais de Justiça tentam entregar uma intimação determinada por Dino para que o deputado preste esclarecimentos sobre as emendas enviadas às empresas da produtora.

Além dos citados na apuração de Dino, um levantamento do Metrópoles mostra que, no final de 2023, a deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL) enviou R$ 100 mil ao Instituto Conhecer Brasil para compra de equipamentos.

Outro deputado bolsonarista da Alesp, Lucas Bove (PL), indicou R$ 213 mil para o mesmo instituto, também para projetos esportivos, mas o dinheiro não foi repassado por problemas técnicos.

Já o deputado Gil Diniz (PL), um dos principais aliados de Eduardo Bolsonaro em São Paulo, destinou R$ 200 mil para a Academia Nacional de Cultura custear parte da produção da série documental Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende, o mesmo objetivo de uma emenda de R$ 1 milhão enviada por Carla Zambelli.

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