Política

DERROTADO: O fim vexatório de quem até ontem se achava rei

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Marcelo Nilo, ex-presidente da Assembleia da Bahia, amarga uma das piores derrotas de sua carreira política ao não alcançar 20 mil votos  |   Bnews - Divulgação Arquivo BNEWS
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 05/10/2026, às 11h41



Um dos maiores figurões da política baiana, conhecido pela retórica muitas vezes deselegante e grosseira quando contestado, o ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Marcelo Nilo, amargou uma das piores derrotas da sua história neste domingo (04). Ao tentar uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília, ele não alcançou nem 20 mil votos e passou longe de conseguir um espaço. 

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O resultado, 17.024, colocou Nilo diante de uma realidade eleitoral muito distante daquela que marcou sua trajetória por décadas. O político foi deputado estadual por sete mandatos consecutivos e comandou a Alba por cinco períodos seguidos, entre 2007 e 2017. Em 2014, Nilo recebeu 148.690 votos para deputado estadual.

Também chegou a assumir interinamente o governo da Bahia em cinco ocasiões durante o período em que ocupava a cadeira mais alta do legislativo estadual. Em 2018, tentou um voo mais alto e disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e foi eleito deputado federal com 115.277 votos.

Vexame

Em 2022, porém, ao tentar renovar o mandato, a pancada: caiu para 65.363 votos e terminou como suplente.

Agora, em 2026, a porrada foi maior ainda: 17.024 votos. Com essa votação, nem mesmo uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia ele conseguiria. 

DataNilo

A trajetória de Marcelo Nilo à frente da Assembleia Legislativa da Bahia também foi marcada por polêmicas e episódios controversos. Um dos mais relevantes ocorreu em 2017, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Opinião, que investigava suspeitas de fraude em pesquisas eleitorais na Bahia. Nilo foi um dos alvos da operação, que cumpriu mandados de busca e apreensão em sua residência e em seu gabinete. Segundo a PF, havia suspeitas de que ele seria o controlador da Bahia Pesquisa e Estatística (Babesp), instituto que ficou conhecido nos bastidores da política de “Datanilo”. Ele negou ser o proprietário da empresa e afirmou que apenas contratava pesquisas do instituto.

A investigação apontou que, entre 2012 e 2016, a Babesp havia registrado 39 pesquisas eleitorais no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo 28 contratadas pelo próprio Marcelo Nilo. A PF apurava a possibilidade de utilização do instituto para a fraude de recursos de caixa dois e manipulação de resultados de pesquisas. As suspeitas foram negadas pelo hoje derrotado.

Ameça a prefeita

Outro episódio recente da retórica do deputado que se achava rei ate ontem aconteceu em maio deste ano. Após a prefeita de Antas, município de sua base política, Essioneide de Rani (PP), se aproximar do governador Jerônimo Rodrigues (PT), Nilo afirmou publicamente que, caso ela permanecesse no grupo governista, lançaria um candidato para enfrentá-la na próxima eleição municipal.

“Daqui a dois anos eu vou lançar um candidato a prefeito contra ela se ela ficar com Jerônimo”, declarou o ex-deputado. A fala ocorreu em meio ao processo de afastamento político entre Nilo e a prefeita, que anteriormente fazia parte de seu grupo.

Tentativa de demonstrar uma força que só ele via

Em 2025, Marcelo Nilo chegou a afirmar que era pré-candidato ao Senado e destacou sua trajetória de sete mandatos como deputado estadual, um mandato federal e dez anos na presidência da Assembleia.

Mas, no início de 2026, diante das indefinições na composição da chapa oposicionista, chegou cogitar a possibilidade de disputar o Senado de forma independente caso ACM Neto (União) não o escolhesse.  

A candidatura ao Senado, porém, não se concretizou. Nem na chapa oposicionista e nem de forma independente. Nilo acabou novamente concorrendo a deputado federal e terminou o pleito de forma vexatória, como um coadjuvante da própria história.

Classificação Indicativa: Livre

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