Política
por Henrique Brinco
Publicado em 13/08/2026, às 19h10 - Atualizado às 19h40
O deputado federal e candidato à reeleição, Marcelo Nilo (Republicanos), negou, em entrevista ao BNews, ter ameaçado o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Maurício Kertzman. O desembargador expôs um áudio do parlamentar enviado para ele, antes da sessão desta quinta-feira (13), com uma ameaça de revelar um dossiê do magistrado. Nilo alegou uma suposta perseguição em decisões dele na Corte.
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"Você pode ter certeza absoluta, vamos passar na minha cara, se você fizer essa sacanagem que você está fazendo comigo, e você está a serviço de Rui dos Respiradores, pode ter certeza, que a Bahia toda vai saber, é pesado, viu?", diz o trecho do áudio enviado ao desembargador, em visualização única, atribuído a Nilo. Kertzman documentou a gravação e solicitou que medidas cabíveis sejam tomadas.
Procurado pela reportagem logo após a sessão, Nilo declarou que seis desembargadores o procuraram com um dossiê contra Maurício e negou que tenha feito qualquer ameaça.
"Eu não o ameacei. Mandei um dossiê para ele, que seis desembargadores [me enviaram]. Eu vou discursar na Câmara [Federal] lendo o dossiê. Terça-feira eu vou ler o dossiê na Câmara, que me mandaram", declarou ao BNews.
Nilo ainda alegou que vem sofrendo suposta perseguição do magistrado no momento de desempate de ações contra ele.
"Eu jamais o ameacei. O que eu disse à ele é que, enquanto ele está votando 4 a 3 contra mim... Quando você vota 3 a 3, o tribunal tá em dúvida, concorda? E aí ele sempre vota contra mim. E eu sei que ele é da cozinha de Rui Costa e de Jaques Wagner. E quando me entregam o dossiê e eu não publico, eu mando pra ele. Foi isso que eu disse. Não o ameacei. Não sou homem de ameaçar ninguém. Ao invés de discursar na Câmara, eu mandei pra ele, mas terça-feira eu vou discursar", emendou o parlamentar baiano.
A Corte julgava uma representação contra Nilo quando o áudio foi exposto. O presidente Maurício Kertzman ressaltou que a exposição da gravação não é uma questão pessoal, mas uma medida de proteção às prerrogativas da magistratura.
"Se a intenção foi apenas causar a minha suspeição, eu não me considero suspeito, mesmo após entender esse áudio. Pessoalmente, não tenho nada a temer, minha vida é um livro aberto", afirmou.
Em seguida, após o discurso do magistrado, uma advogada de Nilo se disse surpresa com o áudio e afirmou que não compactua com a gravação, prestando solidariedade ao desembargador na sequência. Kertzman também recebeu apoio dos colegas no Plenário.
Assista ao vídeo em que o presidente expõe o áudio de Marcelo Nilo:
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