Justiça

Presidente do TRE-BA denuncia ameaça de deputado Marcelo Nilo durante julgamento

Foto: Rodrigo Oliveira Braga / Bnews
Durante sessão, presidente do TRE-BA relata áudio ameaçador de Nilo e destaca medidas tomadas para documentar o caso  |   Bnews - Divulgação Foto: Rodrigo Oliveira Braga / Bnews
Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 13/08/2026, às 18h33



Uma ameaça feita pelo deputado federal Marcelo Nilo ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman, foi revelada na sessão desta quinta-feira (13). Durante o julgamento, o presidente da Corte Eleitoral expôs a ameaça que sofreu do deputado baiano. Para o presidente do TRE-BA, a ameaça foi uma tentativa de intimidação diante dos últimos julgamentos contra a campanha de Marcelo Nilo nas redes sociais. No início de seu discurso, ele disse que nao era "nem amigo e nem inimigo" do deputado.


Kertzman relatou que, durante a sessão da última sexta-feira (7), recebeu um áudio de visualização única no Whatsapp, com a voz do deputado Marcelo Nilo, ameaçando expor publicamente contra ele um “dossiê” com denúncias. "À noite, por volta das 20h30, eu recebi um áudio de audição única. Como achei estranho, não quis abrir e tomei as medidas adequadas para documentar o conteúdo", explicou o presidente do TRE-BA.

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Na transcrição do áudio, a voz atribuída ao ex-deputado sugere um tom de ameaça. "Você pode ter certeza absoluta, vamos passar na minha cara, se você fizer essa sacanagem que você está fazendo comigo, e você está a serviço de Rui dos Respiradores, pode ter certeza, que a Bahia toda vai saber, é pesado, viu?", diz o trecho enviado ao magistrado.


Apesar da tentativa de pressão, o desembargador Maurício Kertzman foi enfático ao declarar que não se considera suspeito para dar continuidade ao julgamento. Segundo o magistrado, a estratégia por trás do áudio poderia ser justamente provocar sua saída do caso.

Se a intenção foi apenas causar a minha suspeição, eu não me considero suspeito, mesmo após entender esse áudio. Pessoalmente, não tenho nada a temer, minha vida é um livro aberto", afirmou.


Kertzman ressaltou que a exposição do caso não é uma questão pessoal, mas uma medida de proteção às prerrogativas da magistratura. Ele informou que o episódio foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral (MPE) e ao Ministério Público Federal (MPF) para que as autoridades apurem se as falas configuram crime comum ou eleitoral.


Eu preciso me sentir livre, e todos os integrantes desta Corte precisam se sentir livres para votar conforme a sua consciência. Desde que assumi a presidência, disse que iria fazer de tudo para manter o alto nível do processo eleitoral e que, qualquer tipo de deturpação ou abuso, eu buscaria o rigor contra qualquer lado partidário", concluiu o desembargador.

Classificação Indicativa: Livre

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