Política

Desenho de 'pênis com asas' vira caso de polícia no Itamaraty; entenda

Agência Brasil
O caso de correspondência no Itamaraty levanta questões sobre comportamento ético e assédio moral entre servidores públicos.  |   Bnews - Divulgação Agência Brasil
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 19/03/2025, às 10h11 - Atualizado às 10h11



Uma correspondência no mínimo inusitada recebida por um integrante do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE), o Itamaraty, vem sendo investigada pela Polícia Federal (PF). A informação é da coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo.

No dia 21 de junho de 2024, o primeiro-secretário Cristiano Ebner, chefe da Divisão de Saúde e Segurança do Servidor (DSS), recebeu um envelope, entregue pelos Correios no MRE, em Brasília, enviada por uma desconhecida "Fundação Kresus".

Ao abrir o envelope, ele encontrou uma ilustração de um pênis com asas. Entendendo como ofensa, Cristiano relatou o caso à Corregedoria do MRE. O caso também foi à embaixadora Daniella Ortega, que aconselhou o secretário a acionar a polícia. Desde então, o fato vem sendo investigado pela PF .

De acordo com a publicação, os investigadores identificaram em agosto quem teria postado a carta, por meio das imagens do circuito de segurança da agência dos Correios. Ao ser avisado, Cristiano não reconheceu a pessoa. A PF prosseguiu com as diligências.

Dois meses após ter recebido a carta, Cristiano recebeu uma mensagem por WhatsApp do ministro-conselheiro do Brasil junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Pablo Cardoso, que queria conversar sobre um "assunto delicado".

À corregedoria do Itamaraty, Cristiano contou que, Pablo o telefonou para confessar ter sido ele o autor da correspondência e que ficou disse ter ficado surpreso com o envolvimento da PF. O ministro-conselheiro disse que correspondência se tratava de uma pegadinha, que admitiu ter sido infantil.

Ainda durante a ligação, Pablo confessou estar preocupado com um amigo a quem pedira para postar a correspondência. A PF o havia intimado a depor. Então, o diplomata perguntou se Cristiano poderia desistir da representação, mas o chefe do DSS resolveu levar o caso adiante.

Ao reportar o caso à PF, Cristiano contou que se sentia ameaçado, por conta do "modus operandi" meticuloso e a ofensa "detalhadamente" planejada, além do interesse na punição do responsável, especialmente se fosse servidor público, por conta da conduta que classificou como "indecorosa, antiética e preconceituosa".

À Corregedoria, Cristiano alegou ter concluído que o caso configura assédio moral, quebra de decoro e preconceito, por envolver uma pessoa hierarquicamente superior em um ato "sem justificativa racional", causando "constrangimento, angústia, temor e ansiedade".

Em outubro do ano passado, Pablo assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) se comprometendo a manter um comportamento compatível com o cargo que ocupa. A Corregedoria optou por não abrir um processo administrativo disciplinar e, à época, a PF arquivou o inquérito por "falta de elementos para a consumação do delito" de ameaça.

Neste ano, Pablo foi designado a chefiar a embaixada na Guiné-Bissau. Procurado, ele diz que "não há qualquer procedimento em desfavor do servidor 'tramitando na Corregedoria do MRE'. Diz ainda que o "procedimento foi arquivado em outubro de 2024, após ter assinado um termo de ajustamento de conduta, que vem sendo rigorosamente cumprido desde então".

"O procedimento não concluiu pela existência de assédio moral ou quebra de decoro e não acarretou qualquer penalidade disciplinar". E ressalta que "a investigação policial também foi arquivada no mesmo mês, 'por falta de elementos necessários para a consumação do delito'", acrescenta.

Já Cristiano e o Itamaraty não comentaram sobre o caso.

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