Política

Direto de Brasília: Deputado acusa PF de 'seguir ordens de adversários de Bolsonaro'

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Ex-presidente foi indiciado nesta quinta (4) no inquérito das joias  |   Bnews - Divulgação Bnews
Lara Curcino

por Lara Curcino

lara.curcino@bnews.com.br

Publicado em 05/07/2024, às 15h13



O deputado federal Alberto Fraga (PL-DF) acusou a Polícia Federal (PF) de "seguir ordens de adversários políticos" de Jair Bolsonaro (PL) para persegui-lo, após o ex-presidente e outras 11 pessoas serem indiciados, nesta quinta (4), no inquérito que investiga suposta apropriação indevida por parte dele e de ex-assessores de joias milionárias dadas de presente quando ele era chefe do Executivo.

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Ao BNews, nesta sexta (5), Fraga sinalizou que a suposta perseguição política ao presidente ameaça a democracia.

"A PF deveria apurar os crimes praticados contra a União e não ficar seguindo ordens de adversários políticos de Bolsonaro, que é o que está acontecendo. Todo mundo está vendo. Bolsonaro continua levando multidões às ruas e isso está incomodando demais, especialmente ao diretor-geral da PF [Andrei Rodrigues], que, por causa de problemas pessoais ou porque recebe ordem, está fazendo essas apurações que a gente sabe que não têm nenhum tipo de objetivo a não ser assassinar a reputação do Bolsonaro. Isso é lamentável. A PF tem que ser considerada um órgão de Estado e não de governo, porque os governos passam, mas a PF é permanente. E esses excessos terão que cessar, para que a gente possa viver em um Estado Democrático de Direito", afirmou Fraga.

Bolsonaro foi indiciado por peculato (se apropriar de bens públicos), lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ele já negou as irregularidades em outras ocasiões, mas o advogado dele, Paulo Cunha Bueno, já afirmou que não vai se manifestar neste momento, por ainda não ter tido acesso ao documento da PF.

A polícia vai encaminhar agora o relatório ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele envie o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PGR vai analisar o relatório e decidir se há elementos suficientes para denunciar os 12 indiciados. Caso sim, o STF vai julgar se torna os acusados réus, se os processos serão arquivados ou encaminhados à primeira instância.

Inquérito das joias

A investigação da PF aponta que Bolsonaro ganhou joias e presentes de autoridades internacionais enquanto era presidente e tentou vendê-las nos Estados Unidos, por intermediários, em junho de 2022.

Entre as joias estava um kit entregue a ele em uma viagem oficial à Arábia Saudita, em outubro de 2019, e que continha um relógio da marca Rolex de ouro branca, um anel, abotoaduras e um rosário islâmico.

A PF afirma que o relógio foi levado aos EUA por uma comitiva do então presidente, em um avião da Força Aérea Brasileira, e lá foi vendido por cerca de R$ 300 mil à loja Precision Watches, na Pensilvânia. Depois de a situação veio a público, em 2023, aliados de Bolsonaro fizeram uma operação para recomprar o produto e entregá-lo ao governo novamente.

Joias da marca de luxo Chopard, que foram trazidas ao Brasil com uma comitiva do governo em 2021, também foram negociadas nos EUA.

Foi revelado pela PF que um colar de diamantes da Chopard - que integrava o kit - ficou retida na Receita Federal do Aeroporto de Guarulhos e o então ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, tentou recuperá-las com o Fisco em 29 de dezembro de 2022, quando o então presidente já havia perdido a eleição e embarcaria para os EUA no dia seguinte.

Uma outra parte que não ficou na Receita também foi levada aos EUA e chegou a ser anunciada por uma casa de leilões em Nova York, mas não chegou a ser arrematada.

Outros indiciados

Além de Bolsonaro, foram indiciadas outras 11 pessoas apontadas pela PF como envolvidas nos casos. Confira:
* Mauro Cesar Barbosa Cid, tenente-coronel do Exército e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro - indiciado por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro;

* Frederick Wassef, advogado do ex-presidente - lavagem de dinheiro e associação criminosa;

* Fabio Wajngarten, advogado de Bolsonaro e ex-secretário de Comunicação - lavagem de dinheiro e associação criminosa;

* Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia de Bolsonaro - peculato e associação criminosa;

* Mauro Cesar Lourena Cid, general da reserva do Exército - lavagem de dinheiro e associação criminosa;

* José Roberto Bueno Júnior, ex-chefe de gabinete do Ministério de Minas e Energia - peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro;

* Julio César Vieira Gomes, auditor-fiscal e ex-secretário da Receita - peculato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa;

* Marcelo da Silva Vieira, chefe do gabinete de Documentação Histórica da Presidência da República no mandato de Bolsonaro - peculato e associação criminosa;

* Marcelo Costa Câmara, ex-assessor de Bolsonaro - lavagem de dinheiro;

* Marcos André dos Santos Soeiro, ex-assessor de Bento Albuquerque - peculato e associação criminosa;

* Osmar Crivelatti, assessor de Bolsonaro - lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Apesar do indiciamento, a PF não pediu a prisão preventiva ou temporária de nenhuma das 12 pessoas no relatório final.

Classificação Indicativa: Livre

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