Justiça
Publicado em 02/06/2026, às 08h50 Claudia Cardozo e Rebeca Santos
A procuradora de Justiça do Ministério Público da Bahia, Márcia Virgens, defendeu a ampliação da participação de mulheres e pessoas negras nos tribunais superiores brasileiros durante entrevista concedida ao BNews nesta terça-feira (2), na cobertura especial da 14ª edição do Fórum de Lisboa.
Realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, o evento reúne autoridades, juristas e acadêmicos. A edição deste ano acontece entre os dias 1º e 3 de junho e é coordenada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.
Em conversa com a jornalista Cláudia Cardozo, do BNews, Márcia Virgens classificou sua participação no encontro como uma experiência "única e extremamente valiosa", destacando a troca de conhecimentos entre Brasil e Portugal.
“É uma troca. Não tenha dúvida que nós experimentamos vários temas importantes para a sociedade portuguesa e também brasileira. Estou voltando para Salvador muito satisfeita e feliz com essa oportunidade de ouvir palestrantes tanto do Brasil quanto daqui de Portugal”, afirmou.
A procuradora também ressaltou a importância dos debates sobre representatividade feminina nos espaços de poder, tema abordado em um dos painéis do evento.
Questionada sobre a presença de mulheres nos tribunais superiores, Márcia afirmou que o Brasil ainda possui um déficit de representatividade feminina, especialmente em cargos de maior relevância no Judiciário.
“Somos 52% da população brasileira e essa representatividade nos tribunais superiores é muito pequena. Democracia se faz com presenças, e é uma exigência da contemporaneidade que as mulheres possam estar presentes não só no primeiro grau, mas também no segundo grau e nos tribunais superiores”, declarou.
A procuradora também defendeu maior representação da Bahia nas cortes superiores e destacou a necessidade de ampliar a presença de mulheres negras nesses espaços.
“Hoje não temos nenhum ministro baiano no Superior Tribunal de Justiça. Acho que é a hora também da representatividade baiana em gênero e raça no STJ e, quem sabe, no Supremo Tribunal Federal”, pontuou.
A procuradora também foi questionada sobre uma possível candidatura futura a uma vaga de desembargadora pelo quinto constitucional. Sem confirmar a intenção, deixou a possibilidade em aberto.
“Ingressar no tribunal mais antigo das Américas é um desafio e uma aspiração não só minha, mas de muitas colegas”, respondeu.
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