Política

Eduardo Cunha tenta voltar à Câmara dos Deputados após cassação e novas investigações: ‘bem acolhido’

Valter Campanato/Agência Brasil
Ex-presidente da Câmara, cassado em 2016, lança candidatura pelo Republicanos e diz ter sido “bem acolhido” pelos mineiros após quase 10 anos sem mandato  |   Bnews - Divulgação Valter Campanato/Agência Brasil
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 25/07/2026, às 21h50 - Atualizado às 21h56



O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha oficializou neste sábado (25/7) sua candidatura a deputado federal por Minas Gerais, durante a convenção estadual do Republicanos. Cassado em 2016, ele tenta voltar ao Congresso Nacional após quase 10 anos fora de mandatos eletivos e aposta em um estado onde nunca exerceu cargo político.

Escolha por Minas Gerais
Em entrevista ao Estado de Minas, Cunha afirmou que decidiu disputar por Minas pelo peso do estado nas eleições nacionais. “Eu acho que Minas Gerais é o estado mais importante do Brasil. É o estado que define as eleições presidenciais. É um estado que é quase que um país. É de uma complexidade enorme, com diferenças enormes de regiões. E por isso mesmo que ele representa a mediana do Brasil. Fazer por Minas Gerais uma caminhada, eu acho que é quase como fazer uma caminhada pelo Brasil.”

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Expectativa de retorno
Ao comentar a possibilidade de voltar à Câmara após uma década, o ex-parlamentar disse estar confiante com a recepção no estado. “É uma expectativa muito positiva, né? A gente tem andado, a gente tem sido bem acolhido, os mineiros me acolheram muito bem e eu agradeço por isso. E a minha expectativa é positiva. Mas o resultado somente a urna vai dizer”.

Investigação em andamento
A candidatura ocorre enquanto Cunha é investigado pela PF (Polícia Federal) por suspeita de direcionamento de emendas parlamentares para municípios mineiros mesmo sem mandato.

Por decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), foram bloqueados R$ 6,1 milhões atribuídos ao ex-deputado e suspensa a execução das emendas sob investigação.

Segundo a decisão, há indícios de que Cunha teria participado da definição de recursos destinados a cidades de Minas Gerais por meio de um “arranjo decisório paralelo”, mesmo fora do Congresso desde 2016. O ministro também determinou que a Câmara dos Deputados apresente documentos relacionados às emendas investigadas.

A defesa do ex-deputado nega irregularidades.

Trajetória política de Eduardo Cunha
Eduardo Cunha construiu sua carreira no Legislativo após ser eleito deputado federal em 2002, consolidando-se como um dos principais articuladores da Câmara dos Deputados ao longo de sucessivas reeleições. Ganhou força ao ocupar comissões estratégicas e, em 2013, assumiu a liderança do PMDB, tornando-se peça-chave do chamado “blocão”, grupo que pressionava o governo Dilma Rousseff.

O ponto central de sua trajetória foi a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, em fevereiro de 2015, quando derrotou o candidato apoiado pelo governo. No comando da Casa, ampliou sua influência sobre a pauta legislativa, colocando em votação projetos de forte impacto fiscal, conhecidos como “pauta-bomba”, em meio a um cenário de crise política e econômica.

Como presidente, teve papel decisivo no processo de impeachment de Dilma Rousseff. Em dezembro de 2015, aceitou o pedido que deu início ao processo e, em abril de 2016, presidiu a sessão que autorizou seu andamento.

A ascensão foi interrompida ainda em 2016. O STF (Supremo Tribunal Federal) determinou seu afastamento por suspeita de uso do cargo para obstruir investigações, e, em setembro, a Câmara cassou seu mandato. Pouco depois, Cunha foi preso no âmbito da Operação Lava Jato e posteriormente condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Classificação Indicativa: Livre

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