Política
Publicado em 04/06/2024, às 07h13 Cadastrado por Lucas Pacheco
O deputado federal baiano e líder do União Brasil, Elmar Nascimento, virtual candidato à presidência da Câmara nas eleições de fevereiro de 2025 e favorito do atual presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), tem a todo custo tentado se cacifar para a disputa. Algumas estratégias, inclusive, são consideradas contraditórias.
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Ao mesmo tempo que Elmar ventila nos bastidores um possível rompimento com o governo caso seja vetado, também acena para a esquerda para tentar minimizar resistências da ala ao seu nome, especialmente no PT, partido do presidente Lula, e no PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin.
O nome de Elmar é que o menos tem a simpatia do governo, sobretudo por ser rival político estadual de um dos principais ministros de Lula, o Chefe da Casa Civil, Rui Costa. E junto a Elmar na disputa, como principais concorrentes, estão os deputados Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Antônio Brito (PSD-BA). Brito, por outro lado, por falar em Rui Costa, é aliado do ex-governador da Bahia e do Senador Otto Alencar, parlamentar com grande influência no Congresso.
Mesmo não agradando muito o Palácio do Planalto, o partido cujo Elmar é o líder possui três ministérios no mandato Lula 3: Integração Nacional, Comunicações e Turismo. Também espera o apoio do governo para a eleição de Davi Alcolumbre (União – AP), para presidir o Senado. Alcolumbre é o nome preferido do atual presidente da Casa, Sen. Rodrigo Pacheco (PSD-MG)
E é toda essa estrutura política que divide opiniões de apoiadores e partidários de Elmar Nascimento sobre o possível rompimento do partido com o governo, caso haja veto ao seu nome. Mesmo não seguindo à risca orientações do Planalto em votações e muitas vezes votando contra, parlamentares do União Brasil entendem que a relação com o governo facilita o atendimento a demandas e não gostariam de perder espaço.
O presidente nacional do partido, Antônio Rueda, disse não acreditar que Lula possa vetar Elmar Nascimento na disputa.
“Nenhum candidato pode ser vetado pelo presidente da República. A eleição é do Congresso, é bom lembrar. Mas não vejo o presidente Lula vetando a quem quer que seja, muito menos o Elmar. Ninguém do partido veria bem um veto deste tipo. Temos sido corretos com o governo durante todo esse tempo, não vejo o porquê de algo desta natureza em direção a um nome do União Brasil”, afirmou Rueda ao jornal O Globo.
Rivalidade na Bahia
Elmar, que por um lado ameaça romper com o governo, por outro lado tem feito de tudo para melhorar sua relação com seus rivais políticos baianos e que ocupam posições chaves no governo Lula: Rui Costa, chefe da Casa Civil, e Jaques Wagner, líder do PT no Senado. Os dois ex-governadores da Bahia chegaram ao poder na Bahia derrotando o grupo de Elmar Nascimento, inclusive nas eleições de 2022, quando o candidato de Costa, Jerônimo Rodrigues (PT), que nunca havia disputado um cargo político e era considerado desconhecido, derrotou nas urnas o ex-prefeito de Salvador e ex-deputado federal por diversos mandatos, ACM Neto (União).
Por falar em Bahia, tanto Elmar, quanto seu partido, reduziram as duras críticas a Jerônimo Rodrigues (PT). O deputado passou ainda a fazer interlocução direta com o governador, orientando deputados estaduais a votarem a favor de projetos de interesse da gestão estadual na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).
Apoio do PSB de Geraldo Alckmin
Enquanto ainda não sabe se terá o apoio do partido do presidente da república, Elmar já partiu para atrair apoio da legenda do vice-presidente, Geraldo Alckmin, o PSB, o que passa pelas eleições 2024.
Quanto ao pleito de outubro, por exemplo, o União Brasil já acertou apoio à reeleição do prefeito do Recife, João Campos (PSB). O movimento reforça as chances do PSB embarcar com Elmar na disputa na Câmara.
Bolsonaristas
O líder do União também corre atrás dos deputados e partidos bolsonaristas. O deputado tem tentado convencer o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, com quem tem se encontrado frequentemente, justificando ser ele o único nome na disputa capaz de enfrentar o governo federal em defesa de deputados da oposição na Câmara.
Elmar Nascimento foi o único candidato à presidência da Casa que defendeu a derrubada da prisão preventiva do deputado federal do Rio de Janeiro, Chiquinho Brazão (ex-União, hoje sem partido), que foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após a delação premiada do ex-PM Ronnie Lessa, que o apontou como um dos mandantes da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL).
Ainda no Rio, Elmar tem pressionado seu partido a apoiar o nome de Alexandre Ramagem (PL) à prefeitura da capital fluminense, na tentativa de convencer o PL a lhe apoiar.
Entretanto, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, já deixou claro que seu partido, que possui 99 deputados e é considerado decisivo para a disputa, só irá apoiar o nome que se comprometer a aprovar uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e demais integrantes do partido investigados por suspeita de participação na tentativa de golpe e ruptura institucional no país.
E Arthur Lira?
Embora nos bastidores se saiba que Elmar Nascimento é o nome preferido de Arthur Lira (PP-AL), por ser seu amigo pessoal e fiel escudeiro na Câmara, o atual presidente da Casa ainda não declarou quem apoiará na disputa, sobretudo depois de ficar cada vez mais clara a possibilidade de o Palácio do Planalto vetar o nome de Elmar.
Caso Elmar seja barrado na disputa, a responsabilidade seria inteira do governo federal e Lira sairia ileso da contenda, sem desgastes, nem com seu amigo, nem com os demais deputados por ter apoiado um nome que não decolou.
Caminho contrário
Na contramão do deputado baiano, que tenta atrair a simpatia do governo e da sua base, Antônio Brito e Marcos Pereira buscam afastar a imagem de “governistas” para atrair a oposição.
Brito, por exemplo, que é líder do PSD na Câmara, já se comprometeu com seus opositores a liberar seu partido em votações de interesse do grupo, como na do projeto que trata das regras de streaming.
Ainda, o PSD já se posicionou favorável à abertura de um novo prazo para o recadastramento de armas de fogo de uso permitido ou restrito junto à Polícia Federal e ao Sistema Nacional de Armas (Sinarm). A pauta está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Marcos Pereira, por sua vez, se reuniu com Bolsonaro no mês passado e ouviu que não haveria objeções à sua candidatura. Entretanto, o ex-presidente já disse que não irá apoiar o deputado.
Pereira ainda desagradou Bolsonaristas nas últimas semanas após defender a aprovação do projeto de regulamentação das rede sociais.
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