Política

Em busca de diversidade, partidos de direita filiam gays e miram periferia

A trans Sophia Barclay ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Reprodução. - Beto Barata / PL
Partidos passaram a tratar minorias como ativo eleitoral  |   Bnews - Divulgação A trans Sophia Barclay ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Reprodução. - Beto Barata / PL
Anderson Ramos

por Anderson Ramos

Publicado em 21/12/2025, às 08h55



Partidos de direita querem projetar minorias para a disputa das eleições de 2026 e passaram a tratar a diversidade não como inimiga ideológica, mas como ativo eleitoral.

Prova disso é o vereador Rafael Satiê do Rio (PL-RJ). Negro, filho de ex-traficante criado numa comunidade carioca por mãe solo, com um irmão preso e o outro "perdido para o tráfico de drogas", ele entrou na política tendo como norte o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Quando alguém vem da favela, como eu vim, e é negro, a esquerda costuma tentar enquadrar essa pessoa em uma narrativa pronta. Tentaram fazer isso comigo. Queriam que eu me apresentasse como vítima. Mas construí minha vida com temor a Deus, trabalho, empreendedorismo e acreditando na meritocracia, exatamente o oposto do que defendem", disse em entrevista para a Folha de S. Paulo.

De acordo com o líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, Sóstenes Cavalcante, a estratégia é apoiar candidaturas que articulam representatividade e conservadorismo, e assim rivalizar com a esquerda nesse debate.

Antes da operação da PF da qual foi alvo de buscas na sexta (19) em investigação sobre desvio de cota parlamentar, Sóstenes citou outros acréscimos desejados para esse projeto. O primeiro nome que lhe vem à cabeça é o de Jojo Todynho. A ex-funkeira chegou a ser convidada para concorrer à Câmara pelo PL na próxima eleição. Por ora declinou, embora a afeição pela legenda permaneça.

"Eu acho a Jojo um quadro super interessante, porque existem algumas cartas identitárias que preveem que uma mulher negra da periferia e gorda deveria ser necessariamente uma candidata alinhada à esquerda", afirma o líder do PL.

"E sabe o que nós vamos trabalhar agora também? Homossexuais de direita", Sóstenes adiciona. Menciona Firmino Cortada como um nome com potencial. O influenciador do Mato Grosso do Sul, abertamente gay e de direita, já argumentou em podcast que "não existe gay de esquerda".

Ele argumenta que o sistema capitalista seria essencial para que os homossexuais adquiram direitos, "porque o gay é um público que consome mercado de luxo, é uma fatia importante do capitalismo".

Outro caso é o  da influenciadora Sophia Barclay, pré-candidata a deputada pelo Novo de São Paulo. Ela, que se define como trans de direita, foi alvo de ataques transfóbicos, como um que dizia não a reconhecer como mulher. Barclay diz que recebeu "reações positivas e negativas, o que é absolutamente normal na política".

"O que mais chama atenção é como muitas pessoas tentam deslegitimar ideias atacando a identidade pessoal. Isso diz mais sobre quem ataca do que sobre mim", ela afirma. Também não vê incompatibilidade entre ser trans e conservadora.

"Isso só é paradoxal para quem acredita que pessoas trans precisam pensar de uma única forma. Sou uma mulher trans, mas antes disso sou cidadã, trabalhadora, esposa e brasileira."

Classificação Indicativa: Livre

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