Política

Entenda a operação que teve como alvo deputados do PL e que aprendeu mais de R$ 400 mil em espécie

Fotos: Agência Câmara
Ministro do STF autorizou a operação após parecer da PGR, incluindo quebra de sigilos bancário e fiscal dos deputados  |   Bnews - Divulgação Fotos: Agência Câmara
Lucas Pacheco

por Lucas Pacheco

lucas.pacheco@bnews.com.br

Publicado em 20/12/2025, às 08h07 - Atualizado às 08h08



Os deputados do Partido Liberal, Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, que é líder do PL na Câmara, ambos do Rio de Janeiro, foram alvos, nesta sexta-feira (19), de uma operação da Polícia Federal. por suspeita de desvio de verba pública. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelos agentes. 

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Em um flat, de Brasília, utilizado por Sóstenes Cavalcante, um dos maiores defensores do ex-presidente Jair Bolsonaro e do projeto de anistia, a PF apreendeu quase R$ 470 mil em espécie dentro de um armário. Imóveis do deputado Carlos Jordy e de assessores dos dois deputados também foram alvos.

A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (SF), Flávio Dino, após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal.

O que diz as investigações 

As investigações apontam que Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy são suspeitos de desviar dinheiro da cota parlamentar, que é o dinheiro público utilizado para despesas do mandato, como passagens aéreas e aluguel de escritórios. Segundo a PF, parte do dinheiro estaria sendo usado para custear despesas inexistentes com empresas de fachada, entre elas uma locadora de veículos. 

A Polícia Federal chegou aos dois deputados após analisar material apreendido em outra operação, no fim de 2024, e descobrir uma movimentação financeira atípica de R$ 27 milhões por assessores. Segundo a corporação, Sóstenes Cavalcante , Carlos Jordy e os assessores integraram uma organização com "objetivo claro e certo de ocultar/dissimular valores oriundos de infração penal".

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Jordy disse que está sendo perseguido e negou qualquer irregularidade. 

"É a mesma empresa que eu alugo carros desde o meu primeiro mandato. Eles dizem que chama a atenção o número de veículos dessa empresa, que aluga para vários outros deputados, inclusive. Dizendo que as outras empresas têm mais de 20 veículos na sua frota. E a Haruê Locação de Veículos tem apenas cinco veículos. Por isso seria uma empresa de fachada. Eu sei o que eles estão fazendo. Isso aqui é mais do que querer nos intimidar”, disse. 

Sóstenes também negou irregularidades e afirmou que os R$ 470 mil apreendidos na casa dele são oriundos da venda de um imóvel em Minas Gerais que. Ele alegou ainda que o valor foi declarado no Imposto de Renda e que não depositou no banco por um "lapso". 

"O imóvel me foi pago com dinheiro lícito, está lacrado, tem origem. Eu recebi recentemente dinheiro e, com essa correria de trabalho, acabei não fazendo o depósito. Mas eu faria. Inclusive, parte dele penso em fazer outros negócios, acabei não fazendo o depósito. Foi simplesmente um lapso. Ninguém pega dinheiro ilícito e bota em casa. Eu guardei dentro do guarda-roupa. Eu peguei o dinheiro, recebi e coloquei ali, simples isso”, apontou. 

O deputado Hugo Motta (Republicanos - PB), presidente da Câmara dos Deputados, afirmou que o Supremo cumpre seu papel de investigar, mas que a Câmara não permitirá exageros. 

"A Câmara não tem compromisso em estar protegendo aquilo que não é correto. A Câmara dos Deputados não tem essa função, muito menos o presidente. Quando a gente tem um colega que é alvo de qualquer ação do Judiciário, seja ela qual for, nós não ficamos felizes com isso. Nós respeitamos o trabalho do Supremo, não temos compromisso com quem não trabalha correto e vamos sempre acompanhar aqui na presidência da Câmara para que exageros não sejam cometidos”.

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