Política

Empresa questiona retirada do projeto do trem Salvador-Feira de Santana do plano de governo de Jerônimo

Reprodução / Intercidades
TIC Bahia defende projeto e contesta argumento do governo para não priorizar a obra  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Intercidades
Anderson Ramos

por Anderson Ramos

Publicado em 13/09/2026, às 17h42



A TIC Bahia, empresa responsável pelo projeto da ligação ferroviária de passageiros entre Salvador e Feira de Santana, reagiu a exclusão da obra do plano de governo do candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT). 

Em nota enviada ao BNews, a companhia contesta o argumento da campanha do governo de que o projeto teria o custo muito elevado e que por isso, a prioridade passou a ser um Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) ligando Salvador, Camaçari e Alagoinhas.

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No comunicado, a TIC Bahia cobrou a apresentação dos estudos que comprovariam que o  custo operacional e análise econômico-financeira que permitiram concluir que o VLT até Alagoinhas seria economicamente mais viável do que a ferrovia até Feira de Santana.

A empresa estima investimentos na ordem de R$ 6,4 bilhões a R$ 6,8 bilhões para a construção da ferrovia, que terá aproximadamente 98 quilômetros. 

A título de comparação, a empresa pegou como exemplo o VLT de Salvador e RMS atualmente em implantação que possui cerca de 40 a 44 km de extensão e

investimento oficial de R$ 5,4 bilhões, o que daria algo entre aproximadamente R$ 123 milhões e R$ 135 milhões por quilômetro.

Uma simples referência paramétrica usando os próprios investimentos ferroviários do Estado colocaria um corredor com 120 km numa ordem de grandeza muito superior a R$ 12 bilhões, podendo se aproximar de R$ 15 bilhões, dependendo evidentemente da configuração definitiva. Enquanto isso, Salvador–Feira possui estudos apontando CAPEX abaixo de R$ 7 bilhões. Então o problema não pode ser simplesmente o custo”, argumenta a empresa. 

Integração

A TIC Bahia acredita que os projetos podem coexistir de forma integrada compartilhando infraestrutura no acesso à Região Metropolitana de Salvador. De acordo com a empresa, aproximadamente 11 quilômetros que hoje integram o corredor do TIC poderiam fazer parte da infraestrutura implantada para a rede metropolitana. 

“Em vez de construir duas ferrovias paralelas, os sistemas poderiam coexistir em uma infraestrutura comum tecnicamente preparada para diferentes níveis de serviço”, diz o comunicado. 

“Isso poderia reduzir o CAPEX do corredor Salvador–Feira em mais de R$ 1 bilhão, dependendo da solução definitiva de engenharia. Portanto, paradoxalmente, o investimento do próprio Governo em direção a Camaçari e Alagoinhas deveria tornar Feira de Santana ainda mais viável, e não servir como argumento para descartá-la”, avalia a TIC Bahia. 

Exclusão no plano de governo

O governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues não incluiu em seu plano de governo a ferrovia entre Salvador e Feira de Santana. Em meio às propostas da campanha de 2022, o petista assumiu o compromisso de “elaborar estudos de viabilidade técnica e econômica para implantação de trem regional, ligando as cidades de Salvador e Feira de Santana à Chapada Diamantina”.

A proposta já havia aparecido nos planos de governo de 2014 e 2018, com Rui Costa (PT). Em 2014, o candidato ao Senado prometeu “implantar a linha ferroviária de passageiros entre Salvador e Feira de Santana”. 

Quatro anos depois, em sua campanha à reeleição, o compromisso foi reformulado: o plano de 2018 passou a prever a elaboração de estudo para um trem rápido, destinado ao transporte misto de cargas e passageiros entre as duas cidades.

O que diz a campanha de Jerônimo

Em resposta ao BNews, a campanha de Jerônimo Rodrigues informou que o projeto não foi abandonado e explica que houve uma mudança de prioridade para o Programa de Governo Participativo (PGP). 

Os estudos mostraram que, nas condições atuais, o trem Salvador-Feira teria um custo muito elevado, o que dificultaria sua viabilização. Por isso, colocamos no PGP a proposta do VLT Salvador-Camaçari-Alagoinhas, como uma nova alternativa de expansão da mobilidade sobre trilhos. Isso não significa que a ligação ferroviária entre Salvador e Feira esteja descartada. Durante o governo, o projeto poderá ser reavaliado a partir de novos estudos de viabilidade técnica, econômica e financeira”, comunicou.

Empresa interessada

Em junho de 2025, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que analisava o interesse da empresa baiana TIC Bahia Ltda. em realizar a obra.

Em setembro do ano passado, o Ministério dos Transportes anunciou um investimento de R$ 6,6 milhões em estudos de viabilidade na proposta de implantação da ferrovia Salvador-Feira de Santana.

O aporte faz parte de um programa do Governo Federal que tem como objetivo ampliar a presença do modal ferroviário no Brasil. No mesmo pacote estão outras ferrovias que também estão em fase de estudo: Brasília–Luziânia, Londrina–Maringá e ligações metropolitanas em São Luís, Fortaleza e Pelotas.

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