Política
por Daniel Serrano
Publicado em 11/08/2026, às 14h50 - Atualizado às 14h50
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (11), a admissibilidade de uma representação contra a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) por suposta quebra de decoro parlamentar.
Com a decisão, a parlamentar será notificada e terá 10 dias úteis para apresentar uma nova defesa por escrito. Na sequência, serão indicadas provas e testemunhas para serem ouvidas durante a tramitação do caso.
A representação foi apresentada pelo Partido Missão, em março deste ano, após Erika Hilton utilizar as redes sociais após ser eleita como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Ela é a primeira mulher transexual a comandar o colegiado.
No dia 11 de março, a deputado reagiu às críticas de opositores à sua eleição. “Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”, escreveu.
De acordo com o relatório apresentado por Cabo Gilberto Silva, relator da representação, o uso da expressão “imbeCIS”, com destaque para as letras “CIS”, representaria um ataque às mulheres cisgênero.
Além disso, o documento considera misógina a frase “Podem espernear. Podem latir”, publicada pela deputada. Para o relator, a expressão teria associado mulheres que criticavam Erika à figura de animais, caracterizando uma forma de desumanização.
Com a aprovação da admissibilidade, o processo contra Erika Hilton seguirá em tramitação no Conselho de Ética. Agora, a deputada deve ser notificada a apresentar defesa escrita, além da indicação de provas e da escolha de testemunhas para serem ouvidas pelo colegiado.
Cabo Gilberto Silva afirmou que a decisão sobre eventual punição caberá ao próprio Conselho de Ética e ressaltou que, nesta fase, seu voto tratou apenas da admissibilidade da representação. O deputado também criticou a ausência de Erika Hilton na reunião.
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