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ESCÂNDALO! PF mira publicitário aliado de Vorcaro em investigação sobre esquema para intimidar jornalista

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Investigações apontam que Miranda teria coordenado o levantamento de informações sobre a vida privada da jornalista Malu Gaspar  |   Bnews - Divulgação Reprodução/ Redes Sociais
Maiara Lopes

por Maiara Lopes

maiara.lopes@bnews.com.br

Publicado em 09/07/2026, às 16h29



A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira, uma operação para apurar um suposto esquema de espionagem, coleta ilegal de dados e intimidação contra jornalistas e outras pessoas consideradas obstáculos aos interesses do Banco Master. Entre os alvos está o publicitário Thiago Miranda, apontado pelos investigadores como um dos principais operadores da ação ao lado de Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira.

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Na decisão, o magistrado afirmou que os elementos reunidos pela investigação revelam um elevado grau de organização e classificou a atuação do grupo como semelhante à de uma estrutura mafiosa. O pedido da Polícia Federal recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

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Segundo a PF, os investigados utilizaram uma plataforma clandestina de comercialização de informações sigilosas para acessar dados pessoais e financeiros da jornalista Malu Gaspar, colunista do O GLOBO. O objetivo seria localizar fatos que pudessem desgastar sua imagem ou servir como instrumento de pressão diante das reportagens publicadas sobre o Banco Master.

As investigações apontam que Miranda teria coordenado o levantamento de informações sobre a vida privada da jornalista, incluindo dados patrimoniais e familiares. De acordo com a decisão do STF, mensagens analisadas mostram que o publicitário organizava buscas, acompanhava processos antigos e mobilizava uma equipe para localizar conteúdos considerados sensíveis.

A Polícia Federal afirma que a mesma estratégia foi empregada contra outras pessoas ligadas ao mercado financeiro e consideradas inconvenientes aos interesses do grupo, entre elas o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho. Ainda conforme a investigação, o objetivo era proteger integrantes da suposta organização criminosa, influenciar a opinião pública e intimidar jornalistas, concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central. Para os investigadores, o acesso indevido a informações sigilosas pode configurar, entre outros crimes, violação de dispositivos previstos no Código Penal.

Outro ponto apurado pela PF é a suspeita de que recursos provenientes de fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master tenham sido utilizados para financiar campanhas de desinformação na imprensa. Os mandados autorizam a apreensão de celulares, computadores, documentos e outros equipamentos eletrônicos.

As conversas obtidas pela Polícia Federal indicam que a reação de Daniel Vorcaro e Thiago Miranda ocorreu após uma série de reportagens publicadas por Malu Gaspar sobre investigações envolvendo o Banco Master, incluindo suspeitas de fraudes e irregularidades financeiras.

Nos diálogos, datados de março e abril de 2025, Vorcaro afirma que era necessário "frear a Malu Gaspar", alegando que a jornalista continuaria produzindo reportagens desfavoráveis ao banco. Em resposta, Miranda diz que iria "revirar a vida" da colunista e passa a compartilhar informações pessoais, como endereço, familiares, contas bancárias e renda.

Em outra troca de mensagens, após o envio de uma nova reportagem sobre a situação financeira do Banco Master, Miranda escreve que a jornalista "não para". Em seguida, afirma não ter encontrado qualquer informação capaz de comprometer a reputação da profissional e diz que seria preciso "arrumar uma forma de calar essa mulher".

Em nota, O GLOBO repudiou a tentativa de monitoramento da vida privada de sua colunista e classificou a prática como uma tentativa de intimidar a imprensa e silenciar o trabalho jornalístico. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) também criticou o episódio, classificando os fatos investigados como incompatíveis com o Estado Democrático de Direito.

Classificação Indicativa: Livre

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