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Especial

Eleições 2020: Tramas, traições e costuras pela prefeitura de Salvador

[Eleições 2020: Tramas, traições e costuras pela prefeitura de Salvador]
28 de Junho de 2019 às 07:30 Por: Arquivo BNews Por: Juliana Nobre, Eliezer Santos e Henrique Brinco

“Está cedo para falar de 2020”. A retórica é padrão entre os principais quadros que ambicionam assumir a prefeitura de Salvador. A resposta esconde, porém, uma rotina agitada nos bastidores com estratégias e até traições para composição do melhor time. 

As articulações tendem a se agrupar majoritariamente em dois grupos, atendendo à polarização ACM Neto (DEM) versus Rui Costa (PT). Todavia, a sucessão municipal pode desconfigurar o alinhamento de partidos nas respectivas administrações, antecipando inevitavelmente as especulações pelo governo da Bahia em 2022. 

Pelo menos seis nomes cogitados para a disputa de 2020 são ligados ao prefeito ACM Neto: Bruno Reis, Leo Prates, Kaio Moraes, Tiago Dantas, Geraldo Júnior e Guilherme Bellintani. 

Bruno Reis (DEM), vice-prefeito e secretário de Infraestrutura, nome natural para a sucessão, assumiu a maior fatia de inaugurações da prefeitura e, em tom de pré-campanha, visita o maior número possível de comunidades.

Se a estratégia não vingar, Reis deve perder espaço para o secretário de Promoção Social, Léo Prates (DEM), tido como plano B – que também corre informalmente em busca de apoiadores. O gestor, que transita bem entre os partidos de esquerda, tem amplo apoio de vereadores, tanto na base quanto na oposição. 

Recentemente, ACM Neto também colocou seu chefe de gabinete, Kaio Moraes, entre as alternativas. Indagado pelo BNews, Kaio diz que é cedo para fazer qualquer tipo de projeção, mas também não negou a possibilidade. Outro nome direto ligado a Neto, o secretário de Gestão, Tiago Dantas surge como outra opção do chefe do Executivo. Procurado pelo BNews, Dantas negou.

Fecham a lista o presidente da Câmara de Vereadores, Geraldo Júnior (SD) e o presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani. Ambos, apesar da histórica ligação com Neto, estão hoje mais inclinados ao Palácio de Ondina do que ao Thomé de Souza.

 

OS PRETERIDOS DE NETO E BELLINTANI NO PSB

É justamente da revelia Bellintani-Geraldo que pode nascer uma chapa de terceira via com chances reais de desequilibrar o pleito. A composição pode reunir siglas pouco contempladas na estrutura administrativa de ACM Neto. 

A lista de preteridos inclui Solidariedade, PSC, PTB e MDB. Geraldo Júnior, cacique do Solidariedade em Salvador, afirmou que anunciará na próxima semana o quinto partido para compor a base aliada da qual ele fará parte na eleição da capital baiana em 2020. Nos bastidores, segundo o BNews apurou, comenta-se que duas siglas estão propensas a se somar ao quarteto (uma da base do prefeito ACM Neto e outra do grupo do governador Rui Costa). A estratégia de Geraldo é demonstrar força no grupo para aglutinar novos aliados.

No campo democrata, o Cidadania [antigo PPS], por exemplo, já começou a ver com bons olhos a capilaridade do quarteto. O presidente estadual Joceval Rodrigues pensa em emplacar um nome da sigla na vice do cabeça de chapa do grupo. Já no campo petista, soma-se ao bloco o Podemos, partido descontente, por sua vez, com a fatia de cargos no governo Rui Costa.

A avaliação de interlocutores ouvidos pela reportagem é que Geraldo já tem garantida a sua reeleição para vereador e para a presidência da Câmara no próximo ano e que dificilmente se arriscaria em um voo solo pelo Palácio Thomé de Souza. Em diversas entrevistas, o próprio edil afirmou que abriria mão de se lançar ao páreo se Guilherme Bellintani ou até mesmo o apresentador José Eduardo se colocassem como candidatos.

Conforme o BNews noticiou com exclusividade, Bellintani quer ir para o PSB de Lídice da Mata. E isso, portanto, justifica os acenos que Geraldo tem feito à deputada federal. Inclui-se aí a proposta de que Bellintani seja candidato único da base do governador Rui Costa.

 

AS CINCO SAÍDAS DE RUI

Para evitar continuidade do grupo de ACM Neto no comando de Salvador, o grupo do governador Rui Costa deve optar pela estratégia de lançar o máximo de candidaturas que puder e a fim de levar o embate para o segundo turno. PT, PCdoB, PP, PSD e PSB já rascunham postulantes.

Em meio a intensa disputa interna, o PT sofre para definir qual candidato subirá ao palanque no próximo ano. Por ora, Nelson Pelegrino – nome derrotado por ACM Neto em 2012 – coloca novamente nome à disposição. Há menções também aos deputados federais Jorge Solla e Afonso Florence e aos vereadores Suíca e Moisés Rocha. E, claro, ao senador Jaques Wagner, que rejeita a possibilidade de ser postulante no pleito municipal.

O imbróglio só deve terminar em outubro deste ano, quando haverá eleição do diretório estadual do PT. Uma ala do partido defende que a sigla se volte para as bases e que o nome seja construído em conjunto. Moisés, por exemplo, afirma que devem ser realizadas prévias entre os correligionários e que seja escolhido o nome mais forte entre eles. "Lula, no auge, disputou prévias com Eduardo Suplicy", lembrou, em entrevista à rádio Câmara Salvador. 

Rocha afirma ainda que o PT não pode ter “dono”, em referência a uma possível indicação de candidato a ser feita pelo governador Rui Costa. A preocupação do vereador pode ser inócua, já que interlocutores avaliam que é vã a expectativa de ver Rui no front eleitoral de 2020. 

No PCdoB, Alice Portugal já adiantou que quer ser candidata mais uma vez, ignorando a derrota acachapante que sofreu na eleição de 2016, quando viu ACM Neto reeleger-se com folgados 74% dos votos no primeiro turno. Olívia Santana, deputada estadual, reivindica que haja alternância e seja dela a vez de representar os ideais comunistas na disputa municipal. Em 2012 ela foi vice na chapa de Nelson Pelegrino.

A aproximação entre Leo Prates e o presidente do PCdoB na Bahia, Davidson Magalhães, – com rumores de filiação e candidatura – acentuou os embates internos no partido nas últimas semanas. Informações chegadas ao BNews apontam que a eventual travessia de Prates ao reduto dos camaradas é uma ambição particular de Davidson e do deputado federal Daniel Almeida, coordenador da bancada baiana no Congresso – o que desagrada quadros mais antigos do partido porque o democrata chegaria à legenda sob confetes e holofotes superando o protagonismo de figuras tradicionais às vésperas de uma disputa eleitoral.

As opções do PSD são os senadores Otto Alencar e Angelo Coronel. Ambos têm mandatos assegurados no Congresso até 2022 e 2026, respectivamente, e poderiam retornar aos seus postos em caso de derrota. O PP segue a mesma linha, com a pré-candidatura do deputado federal Cacá Leão. 

As duas siglas, porém, namoram eventual filiação do vereador Geraldo Júnior, o que acena possível chapa com Bellintani.
 
Hoje a articulação mais forte no PSB é para carimbar a filiação do presidente do Esporte Clube Bahia e aglutinar forças do campo de esquerda para marcharem unidos. 

 

TUCANOS FORA DO NINHO DE NETO?

Pela primeira vez o PSDB planeja ter um protagonismo maior na Bahia. Os tucanos ensaiam a possibilidade de sair do ninho carlista e alçar voos mais altos, lançando um candidato próprio na majoritária por Salvador. 

O ex-deputado federal João Gualberto (PSDB) disse que pode ser candidato em 2020. "Legislativo não vou mais. Agora, posso e não posso ser candidato à majoritária. Se for para ser candidato, é a prefeito de Salvador", disse, em fevereiro.

Segundo fontes do BNews, a declaração repercutiu mal internamente na legenda. Tucanos ouvidos pela reportagem alegam que não houve um debate interno sobre isso e que a cúpula estadual, agora sob a batuta do deputado federal Adolfo Viana (PSDB), está antecipando as coisas.

O deputado estadual e ex-presidente da Câmara Municipal de Salvador, Paulo Câmara, foi um dos que colocou o próprio nome à disposição para disputar o Palácio Thomé de Souza. Nos bastidores, o comentário é que ele não vai abrir mão tão fácil de encabeçar a possível chapa tucana. O também deputado estadual Tiago Correia é outro que se colocou para a disputa.

O fato é que lançar um nome virou questão de sobrevivência no PSDB. Com a nova lei eleitoral, o partido precisa se fortalecer para fazer uma boa bancada de vereadores no legislativo municipal. Há um temor generalizado de que o grupo perca espaço para o Democratas. A ver.

 

PL EM DUAS VIAS

Dividido entre as bases do prefeito ACM Neto e do governador Rui Costa, o PL [antigo PR] chegará a 2020 com escancarada divisão interna. Em recente entrevista, o presidente do partido em Salvador, deputado federal Abílio Santana, afirmou que a sigla decidiu abrir mão de lançar candidato próprio à prefeitura em 2020 para apoiar o postulante que for escolhido por Neto, com preferência ao nome de Bruno Reis. 

“Sou obrigado a dizer que, se Bruno Reis for eleito com diferença de um voto, esse voto foi meu”, declarou.

Por outro lado, o presidente estadual partido, José Carlos Araújo, diz que a declaração de Abílio é pessoal e não corresponde à posição oficial da legenda, que hoje ocupa cargos na estrutura administrativa do governo Rui Costa.   

 

OS "OUTSIDERS" DE SALVADOR

O fenômeno dos "outsiders" (indivíduos que não pertencem a um grupo determinado) pode ganhar corpo na eleição de 2020 na capital baiana. Pelo menos dois nomes de fora da política estão sendo cotados para a corrida eleitoral: o da promotora de Justiça Rita Tourinho e o do apresentador da RecordTV Itapoan, José Eduardo.

A integrante do Ministério Público do Estado da Bahia foi convidada pelo partido Cidadania para concorrer à Prefeitura. O convite foi feito no início de junho. Oficialmente, ela nega que tenha pretensões políticas. Mas, nos bastidores, já se cogita a possibilidade de que Rita será a carta na manga de Joceval Rodrigues para a agremiação tentar emplacar um nome na vice de algum postulante da chapa majoritária.

Já José Eduardo recebeu convites do PSD e do PP e aparece bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto. Ele também é cotado para integrar o PRB, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que controla a RecordTV. Oficialmente, em entrevistas, Zé nega que tenha decidido entrar na corrida eleitoral - mas também não descarta a possibilidade. O comunicador deixa claro que tomará uma decisão apenas no ano que vem.

 

NANICOS QUEREM PALÁCIO THOMÉ DE SOUZA

Na contramão das alianças, algumas siglas farão voo solo nas urnas soteropolitanas em 2020. São os casos do PRTB, com Celsinho Cotrim, e o PSOL, com o deputado estadual Hilton Coelho. O primeiro tentará resgatar o saldo eleitoral de 2018, da tímida votação que teve para o Senado Federal, valendo-se também da participação do partido no Palácio do Planalto com o vice-presidente Hamilton Mourão. O segundo, fará justamente o oposto, explorando críticas ao presidente Jair Bolsonaro e sua relação com o prefeito de Salvador e presidente nacional do Democratas, ACM Neto. Além disso, o PSOL não deixará de fazer oposição ao grupo do governador Rui Costa.

Nos dois casos, a história recente mostra que é pouco expressiva a influência federal na eleição municipal. ACM Neto venceu Pelegrino em 2012 no ápice do petismo, com o time Lula, Dilma e Wagner. Em 2016, também não funcionou a estratégia de colar a imagem de Neto a Michel Temer.

Outra candidatura independente pode ser a de João Isidório (Avante), deputado estadual com maior votação em 2018, com 110 mil votos. Caberia a ele capitalizar o saldo do pai, Pastor Sargento Isidório, que ficou em terceiro lugar em 2016, com 8,61% dos votos válidos. Dessa vez, o recém-eleito deputado federal deve brigar pela prefeitura de alguma cidade da Região Metropolitana de Salvador – sendo São Francisco do Conde a mais cotada. 

Já o PRB deseja repetir oito anos depois a candidatura do deputado federal Márcio Marinho em Salvador. 

O cacique do PDT no estado, deputado federal Félix Mendonça Júnior, também afirmou que estará no páreo eleitoral de Salvador como emissário da legenda. E o Podemos, caso decida permanecer na base de Rui, já levanta a possibilidade de lançar o deputado federal e presidente estadual da sigla, Bacelar.

O partido NOVO é outro que quer ganhar capilaridade eleitoral com um candidato próprio. A sigla inovou ao lançar um processo seletivo para escolher o postulante. As inscrições estão abertas na internet e qualquer pessoa pode participar desta primeira etapa, não precisando nem ser filiada ao partido.

 

O SONHO DO PSL BAIANO

Abrigado na prefeitura de Salvador depois da eleição do presidente Jair Bolsonaro, o PSL tenta emplacar o vice do sucessor de Neto, mas encontra resistência frontal no núcleo de governo. O indicado seria o vereador Alexandre Aleluia, que vem sendo cortejado há meses pelo clã Pimentel a deixar o DEM e filiar-se ao PSL. 

A sigla põe na mesa de negociação um generoso volume do fundo partidário e considerável tempo de televisão. Nos bastidores, no entanto, comenta-se que Reis nem sequer cogita a possibilidade de fazer a dobradinha com os bolsonaristas baianos.

O deputado estadual Alan Sanches (DEM), por sua vez, já manifestou intenção de ser possível vice de Bruno e que aceita até mudar de partido se for preciso.
 

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