Política

Ex-jogador Léo Moura tem ONG alvo de investigação por fraude, superfaturamento e uso de empresas fantasmas em esquema de emendas parlamentares

Alexandre Vidal/Flamengo
No governo Bolsonaro , o Instituto Leo Moura foi, de longe, a entidade que mais assinou contratos com a Secretaria de Esporte  |   Bnews - Divulgação Alexandre Vidal/Flamengo
Rebeca Santos

por Rebeca Santos

Publicado em 11/07/2026, às 16h40 - Atualizado às 16h41



Um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidades  na forma como o Instituto Leo Moura executou emendas parlamentares. Entre os problemas estão falsificação de orçamentos usando empresas fantasmas, superfaturamento, sobrepreço, falta de comprovação de que os projetos foram realizados e de que os produtos contratados foram entregues.

A ONG, comandada pelo ex-jogador de futebol Leo Moura (atual embaixador da Conmebol), ainda não foi julgada. Ela aguarda o Ministério do Esporte concluir a análise das prestações de contas de 22 convênios.

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Onze desses convênios já tiveram as contas rejeitadas, e oito deles resultaram na abertura de tomadas de contas especiais no TCU.

Entre 2020 e 2022, no governo Jair Bolsonaro (PL), o Instituto Leo Moura foi, de longe, a entidade que mais assinou contratos com a Secretaria de Esporte.

A entidade se tornou a maior beneficiada do orçamento secreto, como denunciou o colunista André Shalders, do Estadão.

Em dois anos, o Instituto Leo Moura assinou 22 termos de fomento com a então Secretaria de Esporte (que depois voltou a ser Ministério), totalizando R$ 69,2 milhões. Todo o dinheiro veio de emendas parlamentares. Sozinha, a ONG ficou com 14% de todos os repasses destinados ao esporte no país.

Os projetos, feitos no auge da pandemia, previam a criação de escolinhas de futebol na região dos Lagos, no Rio de Janeiro (reduto eleitoral do deputado federal Luiz Lima, do Novo-RJ), e no Amapá, com o apoio do senador Davi Alcolumbre (União-AP). O financiamento veio de emendas do orçamento secreto.

Em 2020, André Shalders revelou que o dinheiro repassado à ONG era, na verdade, administrado por uma empresa chamada Costa & Moura, da qual Leo Moura era sócio. E que a própria Costa & Moura era quem atestava a capacidade técnica do Instituto.

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