Política

Ex-juíza acusada de usar Inteligência Artificial em 2 mil processos alega autismo

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Os advogados também pedem que o diagnóstico de TEA seja considerado na análise das acusações  |   Bnews - Divulgação Redes sociais
Rebeca Santos

por Rebeca Santos

Publicado em 20/12/2025, às 12h47



Os advogados da ex-juíza Angélica Chamon Layoun disseram ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 não foi levado em conta no processo disciplinar que terminou com sua demissão pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS).

Ela foi acusada de usar o mesmo modelo pronto de decisão em cerca de 2 mil processos, o que teria aumentado de forma artificial seus números de produtividade.

No recurso enviado ao CNJ, a defesa informou que exames médicos e avaliações psicológicas feitos entre setembro e novembro de 2025 confirmaram que a ex-juíza tem TEA nível 1, além de  habilidades e esgotamento profissional (burnout).

Segundo os advogados Fábio Medina Osório e Nilson de Oliveira Rodrigues, essa condição afeta a comunicação, a organização e a forma como ela reage a situações de pressão, influenciando tanto o trabalho quanto a própria defesa no processo disciplinar.

Segundo informações do Metropóles, a defesa argumenta que os comportamentos vistos no processo administrativo como sinais de negligência ou má-fé foram julgados sem considerar o quadro clínico dela, e que as dificuldades de comunicação e organização foram entendidas como erros no desempenho profissional.

Os advogados também pedem que o diagnóstico de TEA seja considerado na análise das acusações, inclusive a do uso repetido de decisões padronizadas nas sentenças, e na revisão da punição aplicada.

“Causa perplexidade que a conselheira Daniela Pereira Madeira não tenha se sensibilizado com uma demissão de uma magistrada que não foi acusada de corrupção nem de enriquecimento ilícito, e que tenha se recusado a trazer ao exame do colegiado a análise do resultado das sindicâncias que foram abertas para apurar as denúncias formuladas pela magistrada contra terceiros”, afirmou o advogado Fábio Medina Osório à coluna.

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