Política
Com apenas uma semana de campanha eleitoral, o deputado federal e candidato à reeleição Dal Barreto (União Brasil) já declarou mais de R$ 600 mil em despesas com a própria candidatura.
Uma apuração do BNews, com base nos dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que, até o sétimo dia de campanha, o parlamentar havia registrado R$ 621,6 mil em gastos eleitorais.
A maior parte dos recursos, R$ 418,1 mil, foi destinada à contratação de materiais de campanha junto a uma gráfica localizada em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano.
Do total pago à empresa, R$ 209.096 foram destinados à impressão de bandeiras; R$ 40.300, a adesivos bola de 25x25 cm; R$ 7.020, a adesivos bola de 12x12 cm; R$ 146.880, a praguinhas; e R$ 14.900, a santinhas.
O valor destinado à gráfica também chama atenção pelo ranking nacional de fornecedores. Considerando apenas os R$ 418,1 mil pagos por Dal Barreto à empresa, o valor já coloca a gráfica, até o momento, como a 18ª que mais recebeu recursos de campanhas eleitorais em todo o Brasil.
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Histórico
Em comparação, nas eleições de 2022, a mesma gráfica foi contratada para prestar serviços a seis candidatos diferentes. Naquele pleito, o maior pagamento registrado à empresa foi feito pelo então candidato a deputado federal João Leão (União Brasil), que desembolsou R$ 177.395.
Já na campanha de Dal Barreto em 2022, aparecem despesas eleitorais com empresas de CNPJs diferentes, embora algumas tenham nomes semelhantes. Por isso, não é possível afirmar, apenas pela denominação, que se tratava da mesma empresa.
Embora a gráfica não apareça entre os fornecedores identificados na campanha de 2022 de Dal Barreto, a empresa recebeu recursos do parlamentar durante o atual mandato na Câmara dos Deputados.
Segundo dados da Câmara, Dal Barreto registrou R$ 99.922,20 em despesas com a empresa por meio da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). O valor aparece entre os fornecedores do deputado no atual mandato.
O BNews tentou contato com Dal Barreto e com a gráfica para obter esclarecimentos sobre os gastos, mas, até o momento, não obteve retorno.
Alvo da Operação Overclean
Dal Barreto foi alvo da Operação Overclean, da Polícia Federal, em outubro de 2025. Na ocasião, o deputado foi abordado por agentes no Aeroporto de Salvador e teve o celular apreendido. Endereços ligados a ele, incluindo um posto de combustíveis em Amargosa, também foram alvo de mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação apura suspeitas relacionadas a desvios de recursos de emendas parlamentares por meio de contratos com prefeituras. Segundo a PF, os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos e lavagem de dinheiro.
Gastos com postos de combustíveis
Em outubro de 2025, um levantamento do Uol apontou que Dal Barreto havia apresentado 326 notas fiscais de um posto de combustíveis de seu sócio, em Amargosa, para reembolso pela Câmara dos Deputados desde o início do mandato, em 2023. Os valores somavam cerca de R$ 114 mil.
A reportagem também apontou que o deputado utiliza um carro alugado com verba da Câmara, com custo de R$ 12 mil mensais, e que os reembolsos incluíam abastecimentos de até R$ 1.611 em uma única nota.
Outro levantamento, publicado no mesmo mês, apontou que empresas ligadas a Dal Barreto receberam ao menos R$ 30,9 milhões de 13 prefeituras baianas em 2022. A publicação também informou que o patrimônio declarado pelo deputado passou de R$ 516 mil, em 2008, para R$ 7,3 milhões em 2022.
Refit e Operação Poço de Lobato
Em novembro de 2025, o nome de Dal Barreto foi encontrado pela Polícia Federal em uma anotação escrita em uma das janelas de vidro do escritório da Refit, no centro do Rio de Janeiro, durante a Operação Poço de Lobato.
A empresa, antiga Refinaria de Manguinhos, está entre os maiores devedores de tributos da União e dos estados. Segundo informações da Receita Federal, o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em um único ano por meio de um conjunto de empresas e offshores.
Dal Barreto é proprietário de um posto de combustíveis na Bahia, segmento em que o empresário Ricardo Magro, controlador da Refit, buscava ampliar sua atuação.
Na época, Dal Barreto negou ter qualquer relação comercial ou institucional com a empresa. “Eu não conheço ninguém que eu saiba que tem algum envolvimento com Refit. Nunca fiz nenhum negócio com essa empresa”, afirmou.
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