Política

Flávio expõe estado preocupante de Bolsonaro na prisão e revela "pedido afrontoso" do pai para tentar ser solto

Tânia Rego / Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O senador Flávio Bolsonaro visitou o presidente nesta terça-feira (25) na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília  |   Bnews - Divulgação Tânia Rego / Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Tiago Di Araújo

por Tiago Di Araújo

tiago@bnews.com.br

Publicado em 25/11/2025, às 10h33



Após visitar o pai nesta terça-feira (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelou que o ex-presidente Jair Bolsonaro está "indignado e inconformado" com a prisão preventiva decretada contra ele pela Justiça. Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após violar a tornozeleira eletrônica que usava para monitoramento na prisão domiciliar.

Em declarações à imprensa, Flávio afirmou que o pai fez um desabafo durante a visita: "O que eu fiz para estar aqui?", questionou o ex-presidente, visivelmente frustrado com a situação.

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Flávio Bolsonaro também revelou que o pai pediu a ele que levasse um “pedido direto” aos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O pedido seria para que o projeto de dosimetria da pena dos envolvidos nos atos golpistas seja pautado nas duas casas legislativas.

“Acabei de sair daqui. É um pedido direto dele a Motta e Alcolumbre”, afirmou Flávio, que também mencionou a preocupação do pai com o andamento do processo de anistia aos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro, um dos principais objetivos da oposição.

Além do desabafo, o senador relatou que o ex-presidente passou por uma crise de soluço nos últimos dias, o que gerou grande preocupação. Bolsonaro teria precisado de assistência de um agente da PF para receber medicação. "Eu fico preocupado com isso, porque ele pode acabar broncoaspirando, o que pode acarretar em uma infecção pulmonar. Isso pode ser letal", disse Flávio.

Os filhos do ex-presidente, Flávio e Carlos Bolsonaro, visitaram Bolsonaro nesta terça-feira. A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cada um teve 30 minutos de conversa com o pai. Na próxima quinta-feira, outro filho, o vereador Jair Renan Bolsonaro, também terá autorização para visitá-lo.

Na segunda-feira (24), o PL, partido de Bolsonaro, se reuniu para definir a estratégia da família em relação à prisão do ex-presidente. Flávio foi escolhido para centralizar as manifestações públicas e, após o encontro, declarou que o “objetivo único” da oposição agora é aprovar a anistia para os condenados e investigados pelos atos de 8 de janeiro. Essa medida poderia beneficiar diretamente Bolsonaro, que ainda enfrenta processos judiciais relacionados aos eventos daquele dia.

A prisão preventiva de Bolsonaro foi confirmada por unanimidade pelo STF, que rejeitou a alegação da defesa de que o ex-presidente estava em "confusão mental" devido ao uso de medicamentos quando violou a tornozeleira eletrônica. O ministro Alexandre de Moraes afirmou que Bolsonaro agiu “dolosa e conscientemente” ao danificar o equipamento de monitoração.

Atualmente, o ex-presidente está detido em uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal. O local, com aproximadamente 12 metros quadrados, possui cama de solteiro, ar-condicionado, frigobar, banheiro privativo e televisão. A sala foi recentemente reformada para receber Bolsonaro, caso fosse necessário.

A legislação brasileira prevê que ex-presidentes tenham direito a um espaço compatível com a "sala de Estado-Maior", medida que busca garantir condições dignas de detenção e evitar riscos à integridade física do preso.

Bolsonaro cumpre atualmente uma pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe após as eleições de 2022. Desde agosto, ele estava em prisão domiciliar, mas teve a prisão preventiva decretada após violar as condições de monitoramento. A situação do ex-presidente segue sendo monitorada de perto, tanto pelas autoridades quanto pela opinião pública.

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